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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

por Marco Damiani, no Brasil 247
Tome-se o lugar de Flávio Bolsonaro. Sem dar um pio, ele vê o cerco da operação Unha Carne, da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, se fechar contra si próprio. A divulgação dos primeiros detalhes da planilha de corrupção do bicheiro e contrabandista Adilsinho, com registros de pagamentos de R$ 29 milhões a políticos e membros do governo fluminense, endereça a uma subida das investigações ao topo da pirâmide da organização criminosa que reunia políticos, executivos do governo estadual e chefes do Comando Vermelho.
Dentro de um organograma do crime, o penúltimo escalão já foi atingido. As buscas da Unha e Carne sobre o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim e a prisão do pré-candidato a senador Márcio Canella demonstraram, pela lógica de funcionamento do grupo, que faltam apenas dois degraus para a chegada aos líderes. Amim foi secretário de confiança do então governador Cláudio Castro. Canella tinha, nas palavras do próprio Flávio, “meu apoio 100 por cento”. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de haver um relacionamento criminoso, com hierarquias definidas, entre todos os envolvidos.
O silêncio de Flávio é acusador. Ele não fez um pronunciamento sequer sobre os resultados até aqui das investigações que mostram a interligação entre jogo do bicho, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e contrabando, em conluio com o poder público estadual. Todos os envolvidos, sem exceção, fazem parte de seu grupo político. Diante da força das provas que vão se acumulando, não há mesmo muito o que ele possa dizer que alivie a situação.
“A planilha de Adilsinho organiza beneficiários, quantifica valores e consolida um total expressivo, compatível com uma contabilidade paralela de grande escala”, afirmou a Polícia Federal. Uma primeira planilha contém nomes de candidatos e agentes públicos, com valores individualizados, no montante de R$ 21,9 milhões. Outras duas planilhas demonstram movimentações em dinheiro vivo no total de R$ 7,3 milhões. Bem organizado, o Adilsinho.
Essa organização contábil agora se volta, como prova forte, aos que aparecem como beneficiários dos recursos do bicheiro que enveredou para o contrabando e falsificação de cigarros. Até o começo da tarde desta terça-feira, 14, a Polícia Federal não havia divulgado nenhum nome presente na planilha do bicheiro que enveredou para o ramo criminoso do contrabando e falsificação de cigarros. Aguardada para os próximos dias, a sétima rodada da Operação Unha e Carne gera expectativa e tensão entre Flávio Bolsonaro e seus ‘amigos100%’.
* Marco Damiani é editor especial do Brasil 247 no Rio de Janeiro
Foto reproduzida da Internet
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