O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Arquivos
Links Rápidos
Categorias
E-book
O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
IstoÉ
Todos os homens do propinoduto tucano
Quem são e como operam as autoridades ligadas aos tucanos investigadas pela participação no esquema que trafegou por governos do PSDB em São Paulo
Na última semana, as investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público mostraram a abrangência nacional do cartel na área de transporte sobre trilhos. A tramoia, concluíram as apurações, reproduziu em diversas regiões do País a sistemática observada em São Paulo, de conluio nas licitações, combinação de preços superfaturados e subcontratação de empresas derrotadas. As fraudes que atravessaram incólumes 20 anos de governos do PSDB em São Paulo carregam, no entanto, peculiaridades que as diferem substancialmente das demais que estão sendo investigadas pelas autoridades. O esquema paulista distingue-se pelo pioneirismo (começou a funcionar em 1998, em meio ao governo do tucano Mário Covas), duração, tamanho e valores envolvidos – quase meio bilhão de reais drenados durante as administrações tucanas. Porém, ainda mais importante, o escândalo do Metrô em São Paulo já tem identificada a participação de agentes públicos ligados ao partido instalado no poder. Em troca do aval para deixar as falcatruas correrem soltas e multiplicarem os lucros do cartel, quadros importantes do PSDB levaram propina e azeitaram um propinoduto que desviou recursos públicos para alimentar campanhas eleitorais.
Ao contrário do que afirmaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-governador José Serra na quinta-feira 15, servidores de primeiro e segundo escalões da administração paulista envolvidos no escândalo são ligados aos principais líderes tucanos no Estado. Isso já está claro nas investigações. Usando a velha e surrada tática política de despiste, Serra e FHC afirmaram que o esquema não contou com a participação de servidores do Estado nem beneficiou governos comandados pelo PSDB. Não é o que mostram as apurações do Ministério Público e do Cade. Pelo menos cinco autoridades envolvidas na engrenagem criminosa, hoje sob investigação por terem firmado contratos irregulares ou intermediado o recebimento de suborno, atuaram sob o comando de dois homens de confiança de José Serra e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: seus secretários de Transportes Metropolitanos. José Luiz Portella, secretário de Serra, e Jurandir Fernandes, secretário de Alckmin, chefiaram de perto e coordenaram as atividades dos altos executivos enrolados na investigação. O grupo é composto pelos técnicos Décio Tambelli, ex-diretor de operação do Metrô e atualmente coordenador da Comissão de Monitoramento das Concessões e Permissões da Secretaria de Transportes Metropolitanos, José Luiz Lavorente, diretor de Operação e Manutenção da CPTM, Ademir Venâncio, ex- diretor de engenharia da estatal de trens, e os ex-presidentes do metrô e da CPTM, José Jorge Fagali e Sérgio Avelleda.
Segundo documentos em poder do CADE e Ministério Público, estes cinco personagens, afamados como bons quadros tucanos, se valeram de seus cargos nas estatais paulistas para atender, ao mesmo tempo, aos interesses das empresas do cartel na área de transporte sobre trilhos e às conveniências políticas de seus chefes. Em troca de benefícios para si ou para os governos tucanos, forneciam informações privilegiadas, direcionavam licitações ou faziam vista grossa para prejuízos milionários ao erário paulista em contratos superfaturados firmados pelo metrô. As investigações mostram que estes técnicos do Metrô e da CPTM transitaram pelos governos de Serra e Alckmin operando em maior ou menor grau, mas sempre a favor do esquema.
Época
Edinho Silva: “Não é bom para a democracia só o PT exercer o papel de governo”
O presidente do PT paulista, o deputado estadual Edinho Silva, afirma que as recentes manifestações que levaram multidões às ruas do Brasil precisam obrigar o partido a criar uma “agenda de futuro intensa”, que inclua até o apoio a um candidato de outro partido em 2018. “O grande desafio que o PT terá de enfrentar será entender que ele não pode ser o PRI mexicano (o Partido Revolucionário Institucional ficou no poder de 1929 a 2000 no México)”, afirma Edinho. “Ele não pode querer se eternizar no exercício do governo. Em algum momento, o PT terá de entender que a consolidação desse projeto iniciado pelo ex-presidente Lula terá de ser desenvolvida por uma coalizão”, diz Edinho. Sociólogo, ele foi prefeito de Araraquara e entrou para a política nas pastorais da Igreja Católica. Sua afirmação ocorre num momento em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula Silva tenta convencer o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), a apoiar a reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014. Em troca, o PT apoiaria uma candidatura de Campos em 2018.
ÉPOCA – Em 2011, num artigo sobre a Primavera Árabe, o senhor alertava para os novos movimentos sociais e dizia que a sociedade civil queria “sair da arquibancada para entrar no jogo”. É possível dizer que o PT foi surpreendido pelas manifestações de junho? O partido se afastou da sociedade ao chegar ao poder?
Edinho Silva – Digamos que o PT não priorizou a relação com os movimentos sociais. Isso foi um erro de interpretação, acreditar que somente as relações institucionais dariam conta da realidade. As manifestações de junho mostraram que isso não é verdade. O PT cometeu outro grave erro por não ter sabido olhar o que acontecia no mundo: a Primavera Árabe, o Ocupy Wall Street, os Indignados da Europa… Há uma nova característica de movimentos sociais surgindo no mundo. O Brasil não é uma ilha.
ÉPOCA – Eles são antidemocráticos?
Edinho Silva – É um discurso quase antidemocrático. A característica comum a todos esses movimentos é o questionamento ao modelo de Estado. Aqui no Brasil, gente importante do PT errou na leitura, porque vivíamos um momento de crescimento e achávamos que a sociedade percebia essas vitórias. Porém, a juventude que foi para as ruas é pós-governo Lula. Ela não viveu o processo inflacionário, o desemprego estrutural, o achatamento da renda. E essa juventude disse: “Nós queremos muito mais”. Muita gente que foi para a rua nunca pisou num ônibus. Há um sentimento de mudança, de transformação, de reforma de Estado. E isso não acabou, está latente e pode voltar para as ruas a qualquer momento.
ÉPOCA – O que o governo e o PT precisam fazer para não errar de novo, para não ser surpreendidos outra vez?
Edinho Silva – O PT precisa ser o líder de uma coalizão que entenda a necessidade de uma reforma do Estado e que esteja mais próxima e disposta a ouvir a sociedade. O PT tem grandes desafios. Um partido envelhece quando suas bandeiras envelhecem. Para expressar os anseios da sociedade contemporânea, o PT precisa de uma agenda de futuro intensa e precisa fazer da reforma política seu mantra. Primeiro, precisamos entender a agenda colocada pelos protestos de junho deste ano. Precisamos criar um diálogo com esses movimentos sem necessariamente ocupar um espaço de liderança neste momento. Outro desafio é repensar as políticas públicas. O grande desafio que o PT terá de enfrentar, não tenho dúvidas, será entender que ele não pode ser o PRI mexicano. Ele não pode querer se eternizar no exercício do governo. Em algum momento, o PT terá de entender que a consolidação desse projeto iniciado pelo ex-presidente Lula terá de ser desenvolvida por uma coalizão.
Veja
Arruaça mascarada
Reportagem de VEJA desta semana retrata a linha de frente das violentas manifestações que explodiram no Rio e São Paulo: os black blocs. O grupo é formado principalmente por moradores da periferia, mas há também punks, egressos de movimentos sociais decadentes e até universitárias de tênis Farm. O bando é pequeno – não chega a duas centenas –, mas, engrossado por vândalos de ocasião, tem transformado a baderna e a violência em uma assustadora rotina.
CartaCapital
por Maurício Dias
Serra “fritará” Aécio?
A política mineira é marcada por vários traumas. Um deles deu origem à expressão “cristianização”, derivada do nome de Cristiano Machado (1893-1953), que se lançou, em 1950, candidato à Presidência pelo PSD. Foi “cristianizado” porque o partido apoiou Getúlio Vargas, do PTB. Nos dias de hoje “cristianizar” é “fritar”.
Em duas eleições presidenciais (2006 e 2010), o mineiro Aécio Neves, neto de Tancredo, foi “fritado” por candidaturas paulistas (José Serra e Geraldo Alckmin), estado que controla o PSDB.
Mais jovem naquelas ocasiões, optou por esperar sua oportunidade. Finalmente parecia ter conseguido fixar o nome dele dentro do partido. Engano. Sofre todo o tempo sabotagem de José Serra e dos “serristas”.
Aécio previa isso. Assim, continuou cauteloso, mesmo tendo sido elevado à condição de presidente do partido. Ele sente que não pisa em terra firme. Por isso, nunca se declarou abertamente “o candidato a presidente” pelo PSDB.
“Se tiver mais de um candidato, as prévias se justificam. O PSDB tem um único candidato e está unido em torno dele. Não há possibilidade de esse clima de divisão contaminar a candidatura de Aécio”, insiste Sérgio Guerra, presidente do Instituto Teotônio Vilela, notório adversário de Serra.
Ah, se fosse assim! Serrista de carteirinha, o senador Álvaro Dias (PR) lamenta não terem havido os debates e as prévias. Aí, sim, “o nome de Aécio teria se fortalecido”.
Esse pessoal não é fácil. Não é de se excluir que Serra possa ganhar uma prévia no partido. Sem dúvida ainda é o preferido de muitos eleitores e filiados, eternamente certos do seu “melhor preparo”.
Serra nunca se fingiu de morto. Ele circulava pelas sombras e conversava pelas noites atento a tudo o que acontecia no mundo político. Continuou a acalentar o sonho “da vida inteira”, como já disse, de chegar ao cume do poder mesmo após duas derrotas. Em 2002, perdeu para Lula e, em 2010, para Dilma.
A oportunidade para Serra ressurgir “dos mortos”, veio com os números das intenções de voto na mais recente pesquisa Datafolha. Como parecia aos institutos que ele estivesse fora da corrida, Serra pediu pessoalmente a inclusão do seu nome às intenções de voto dos eleitores.
Com a queda de 17% para 13% das intenções de voto, a candidatura de Aécio sofreu. Serra alcançou 14%. A rigor, embora com alto índice de rejeição, o nome dele sempre oscilou em torno desse patamar. Essa é uma das provas da preferência do eleitor tucano.
O acerto o levou a uma avaliação forte, tão sutil quanto presunçosa, sobre a diferença entre ele e Aécio na moldura de candidaturas possíveis: “Pode ter uma linha de que precisamos ter gente que saiba fazer acontecer. Claro que eu me identifico não como ator, mas como observador e analista”.
Resta saber como os eleitores de Minas Gerais reagiriam à derrota interna de Aécio e como os de São Paulo se comportariam com o veto à aspiração de Serra.
Certo é que, ao fim e ao cabo, alguém pretende “fritar” alguém.
Deixe uma resposta