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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Pré-sal: A história se repete
O editorial do Estadão hoje intitulado “Tática inescrupulosa” me faz lembrar a campanha de O Petróleo é Nosso” no governo Vargas tamanha são as coincidências. Senão vejamos:
O jornalão paulista diz em seu editorial que os ataques à oposição que deram um tom eleitoreiro ao anúncio das propostas do governo para o pré-sal devem tornar-se tema permanente das manifestações do presidente Lula. Apenas um dia depois do evento, ele deixou claro que pretende, além disso, martelar a versão de que os críticos da nova política de petróleo são inimigos do progresso nacional – agem contra “o povo brasileiro”.
O golpe é típico dos autoritários de todos os matizes e representa a forma mais vil de desqualificação do dissenso em relação às decisões dos detentores do poder. É uma incitação ao linchamento político dos que destoam da linha oficial. Destina-se, no caso, a impedir qualquer debate substantivo sobre as regras para o pré-sal e a semear no eleitorado uma atitude de hostilidade, quando não de repulsa, aos adversários do esquema de perpetuação do lulismo no Planalto, diz O Estadão.
Mas é bom lembrar aos incautos que a campanha pela autonomia brasileira no campo do petróleo foi uma das mais polêmicas da história do Brasil republicano, de 1947 a 1953 o país dividiu-se entre aqueles que achavam que o petróleo deveria ser explorado exclusivamente por uma empresa estatal brasileira e aqueles que defendiam que a prospecção, refino e distribuição deveriam ser atividades exploradas por empresas privadas, estrangeiras ou brasileiras. Os nacionalistas argumentavam que se o Brasil não criasse uma empresa estatal, fatalmente aquele produto estratégico para o desenvolvimento econômico, seria oligopolizado pelas grandes corporações internacionais, pela Standard Oil, Shell, Texaco, Mobil Oil, Esso, etc… e que desta forma o país se veria refém daquelas grandes companhias. Em dezembro de 1951, Getúlio Vargas enviou ao Congresso o projeto 1516 que previa a criação de uma empresa mista, com controle majoritário da União. Este projeto sofreu um substituto que afirmava um rígido monopólio estatal, excluindo qualquer participação privada nele. Pelo país afora os debates se ascenderam.
Tanto no governo Vargas como agora no governo Lula certamente os debates serão acalorados. Mas daí dizer que o governo estar usando de “tárica inescrupulosa” como afirma o jornalão paulista há uma diferença muito grande. O presidente Lula está chamando a atenção para a importância do pré-sal e aí tem que se investir do discurso nacionalista como foi feito no governo Vargas. A prova está aí. A Petrobras hoje é uma das maiores empresas no ramo petrolífero. Alguém tem alguma dúvida disso? Então por que não se investir no discurso nacionalista? Francamente, qual o país que tivesse descoberto um tesouro desses não trataria de preservá-lo? Certamente o discurso neo-liberal da oposição raivosa se contrapõe ao discurso nacionalista porque outrora já quiseram privatizar a Petrobras. Não tem outra explicação. A história se repete!
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