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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro, sugeriu que o Brasil negocie com os Estados Unidos uma alternativa ao Pix, sistema público, gratuito e amplamente utilizado pelos brasileiros, em favor de um modelo inspirado no Zelle, mecanismo privado de pagamentos usado no mercado estadunidense. A declaração foi feita em vídeo nas redes sociais.
E o Bananinha dizendo que os EUA têm o Zelle, que é muito semelhante ao Pix, e dá pra negociar, hein?
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de… pic.twitter.com/Lb2Hd0PScq
— Allan dos Panos (@allandospanos) June 3, 2026
A fala de Eduardo Bolsonaro ocorre em meio à ofensiva do governo Donald Trump contra o Brasil, que colocou o Pix no centro de questionamentos comerciais feitos por autoridades dos Estados Unidos. O sistema brasileiro passou a ser alvo de críticas no contexto das pressões norte-americanas sobre o país.
Eduardo Bolsonaro cita Zelle como “Pix dos Estados Unidos”
No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirma que os Estados Unidos possuem mecanismos semelhantes ao Pix e cita o Zelle como exemplo. Para o deputado, essa semelhança permitiria que o Brasil levasse o tema a uma mesa de negociação com os norte-americanos.
“Os Estados Unidos têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle, que é o Pix dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos”, disse Eduardo Bolsonaro.
A declaração foi interpretada por críticos como uma sinalização de submissão aos interesses dos Estados Unidos em um setor estratégico para a soberania financeira brasileira. O Pix, criado e operado pelo Banco Central do Brasil, tornou-se uma das ferramentas mais populares do país, sendo usado diariamente por milhões de pessoas e empresas.
Pix virou símbolo de soberania financeira
A comparação entre Pix e Zelle provocou reação porque os dois sistemas têm naturezas distintas. O Pix é uma infraestrutura pública de pagamentos instantâneos, integrada ao sistema financeiro brasileiro e disponível de forma ampla para a população. Já o Zelle é operado por instituições privadas nos Estados Unidos e não possui o mesmo grau de universalização, eficiência e alcance social do modelo brasileiro.
Ao sugerir que o Brasil negocie com os Estados Unidos a partir de um sistema como o Zelle, Eduardo Bolsonaro reforçou a percepção de que setores do bolsonarismo estariam dispostos a flexibilizar uma das principais inovações financeiras brasileiras para atender pressões externas.
Para críticos, a proposta equivale a prestar vassalagem a Washington em um tema diretamente ligado ao cotidiano da população. O Pix é utilizado para compras, transferências, pagamentos de serviços, pequenos negócios, comércio popular e operações bancárias de milhões de brasileiros.
Bolsonarismo sob pressão após tarifaço de Trump
A fala de Eduardo Bolsonaro se soma ao desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro (PL), que tentou justificar o tarifaço de 25% anunciado pelo governo Trump contra produtos brasileiros. O senador afirmou que a medida não teria como alvo as empresas nacionais, mas o presidente Lula.
“Então, não são as empresas brasileiras que estão sendo tarifadas. Quem está sendo tarifado é o presidente Lula: é ele e o seu comportamento, são as suas ameaças aos Estados Unidos e o seu sentimento anti-americano. É a sua ideologia sendo colocada na frente do interesse do povo brasileiro que pode fazer com que as empresas brasileiras sejam mais uma vez tarifadas”, declarou Flávio Bolsonaro.
A tentativa de responsabilizar Lula por uma medida tomada pelos Estados Unidos gerou forte reação política. Nos bastidores, aliados do governo avaliam que o bolsonarismo passou a ser associado à defesa de interesses estrangeiros contra o Brasil, especialmente depois que o Pix apareceu entre os pontos questionados por autoridades estadunidenses.
Zelle não é Pix
A frase de Eduardo Bolsonaro também reacendeu o debate sobre a diferença entre os sistemas. Ao chamar o Zelle de “Pix dos Estados Unidos”, o deputado ignorou que o modelo brasileiro é reconhecido por sua rapidez, gratuidade para pessoas físicas e ampla integração nacional.
O Zelle, por outro lado, é frequentemente apontado como um sistema mais limitado, dependente da adesão de bancos privados e sem o mesmo alcance social do Pix. A comparação, portanto, foi vista por críticos como uma tentativa de reduzir a importância estratégica de uma tecnologia brasileira que se tornou referência internacional.
A sugestão de levar o Pix à mesa de negociação com os Estados Unidos amplia o desgaste político do bolsonarismo em meio à crise provocada pelo tarifaço de Trump. Para o governo Lula, a defesa do Pix passou a fazer parte de uma agenda mais ampla de soberania nacional, proteção da economia brasileira e resistência a pressões externas.
Entenda o que é o Zelle
O Zelle é uma rede privada de pagamentos digitais dos Estados Unidos, operada por bancos e instituições financeiras, que permite transferências entre usuários cadastrados. Diferentemente do Pix, que é uma infraestrutura pública criada e operada pelo Banco Central do Brasil, o Zelle depende da adesão das instituições participantes e não tem o mesmo grau de universalização, integração e alcance social do sistema brasileiro.
Nos Estados Unidos, o Zelle é usado principalmente para transferências entre contas bancárias de pessoas físicas. Já o Pix se consolidou no Brasil como uma plataforma ampla de pagamentos instantâneos, utilizada por cidadãos, empresas, pequenos comerciantes, prestadores de serviços e órgãos públicos, com funcionamento 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Foto reproduzida da Internet
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