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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Geral, Política

Está no vi o mundo, de Azenha

Relembrando 2006: Marco Aurélio diz que “o gargalo estava na exibição”

por Marco Aurélio Mello, no Doladodelá

Trinta de outubro de 2006. O candidato Geraldo Alckmin agradece a todos os que o ajudaram na campanha e deseja sucesso ao presidente eleito, para o segundo mandato. Como se comprovou, ao final da apuração, Lula teve seis, de cada dez votos válidos dos brasileiros. Terminava ali uma cobertura que exigiu de nós mais do que habituais empenho e dedicação. Exigiu estômago, para suportar tantos desmandos e tamanha manipulação. Claro que, sempre, de uma forma sutil, sofisticada.

Por princípio, podíamos cobrir tudo. E assim o fizemos. Às vezes o esforço individual era maior do que os recursos que estavam disponíveis, mas era parte do jogo. O gargalo estava na exibição. Conseguir levar ao ar as reportagens, depois de prontas, eram outros quinhentos. Estava no ar um modelo consagrado de fazer telejornal: a partir do arquivo.

Se por acaso alguém reclamasse da parcialidade da cobertura, era só fazer um levantamento das exibidas e não-exibidas e apresentar o resultado num pacote só. Assim, ficava impossível contestar, a não ser que alguém tivesse gravado todos os telejornais da emissora para fazer uma contabilidade paralela, o que era impensável. Nem mesmo o TSE possui esse controle.

A fórmula de trabalhar com o arquivo já era consagrada. Foi usada quando a emissora quis recontar sua história em livro. A partir de um vt não-exibido, por exemplo, foi possível sustentar que houve cobertura do Comício pelas Diretas-já no Vale do Anhangabaú, em 25 de janeiro de 1984. Como soubemos depois, o vt – apesar de arquivado – não fora exibido naquela ocasião. O que foi ao ar foram imagens narradas do estúdio, falando genericamente sobre manifestações no dia do aniversário da cidade.

Em 2006 a mesma fórmula incontesti se repetiu. Algumas reportagens foram engavetadas sob o argumento de que se tratava de denúncia requentada, ou sem relevância editorial. Pobre dos que ainda acham que a melhor maneira de se informar é essa. De volta ao dia 30 de outubro de 2006, estavamos no switcher – editores, chefes, auxiliares, etc… E esperávamos pela primeira entrevista coletiva do presidente, agora reeleito. O repórter escalado era o experiente Tonico Ferreira. Feitas as apresentações, Lula dá voz ao repórter que faria a primeira pergunta. Pelo peso da emissora, esperávamos que ele chamaria o nosso repórter. Mas surpreendentemente, Lula chamou pelo nome e concedeu a primeira pergunta ao repórter Celso Teixeira, da TV Record. Ali percebi que algo enorme começava a se mover.

Nota do Viomundo: Marco Aurélio era editor de Economia do Jornal Nacional em São Paulo até o início de 2007. VT, no linguajar dos telejornalistas, é uma reportagem pronta para ir ao ar.

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