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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Artigo

Função de Mendonça é tirar o foco da vida de Flávio Bolsonaro

por Denise Assis, no Brasil 247

Estivéssemos nós, num estado funcional e esta crise não teria chegado aonde chegou. Com as informações que já vieram a público sobre as relações entre André Mendonça e o banqueiro Daniel Vorcaro – que lhe mandava ternos de grife sob encomenda -, o ministro do STF já deveria estar impedido de se pronunciar sobre o caso. Assim como o ministro Nunes Marques, que também transitava em férias com toda a família às suas expensas, de acordo com descrição em relatórios da PF, também não poderia estar à frente da eleição de nossas vidas, na presidência do TSE.

 O ministro André Mendonça já deveria estar a quilômetros da relatoria desse caso, sob pena de colocar tudo a perder. Principalmente o inquérito. A função de Mendonça, muito longe de ser a de alguém que realmente quer passar a limpo toda esta lambança, é a do jogador que fica na área cavando pênalti.

Foi assim que amanhecemos hoje com a Polícia Federal acéfala, por conta de uma decisão sua, a partir de um pedido do obscuro Partido Novo, que de novo só tem mesmo a existência, porque sua política bolorenta não traz novidade alguma. 

E lá se foi o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, despachado justo quando existia a expectativa de que a delação de Antônio Freixo, o homem da mala, seria homologada. E por quem mesmo? A quem cabia esta decisão? Ao Mendonça, é claro. Pressionado para agir, preferiu fazer novamente a terra tremer, a fim de desviar mais uma vez a atenção da República quanto aos malfeitos de Flávio Bolsonaro.

Feita a delação e trazida a público, Flávio Bolsonaro não escaparia – a menos que André Mendonça quisesse fazer um suicídio profissional – de um pedido de busca e apreensão nas suas dependências. Casa, gabinete e alhures, vasculhados, e a quebra dos seus sigilos de celulares e bancários determinada. 

Vendo-se à beira de ser premido a fazer isto, Mendonça sacudiu o pé de frutas. Deixou que caíssem os maduros, como Andrei Rodrigues, há muito sob sua mira, e mais uma vez desviou a atenção da opinião pública das molecagens financeiras do candidato Flávio Bolsonaro. 

Não foi por outro motivo que ele aprontou mais um terremoto. Foi, sabemos, movido pelas movimentações bolsonaristas nas ruas, somadas ao resultado das últimas pesquisas (?) e a pressão para que fizesse a homologação que colocaria tudo a perder.

O ministro terrivelmente evangélico, terrivelmente bélico, terrivelmente obediente, não perdeu tempo. Colocou em marcha a execução do que – tudo indica -, lhe foi determinado. Caberia a ele fazer pó das instituições que dão sustentação à República, enquanto o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tinha a missão de chacoalhar as massas com o recado claro e contundente: “ou elegemos o Flávio, ou Bolsonaro vai mofar 10 anos na cadeia”. 

Plano perfeito. De um lado, o governo atordoado, tentando colocar de pé as estruturas das instituições cambaleantes. Do outro, a mídia empalidecida, se perguntando se não teria errado a mão de novo, exagerado, como fizeram em 2018, elegendo Bolsonaro. No fundo, pensam que não, que esse é o lado onde devem estar, mas por outro, têm satisfações a dar a uma parcela da população que quer tocar a vida em normalidade.

O correto, sabemos todos, é investigar os ministros que se contaminaram com a radioatividade de Vorcaro, mas esta é a fachada mais luminosa em neon. É hora de olhar para o lado obscuro, o sótão de Flávio Bolsonaro. Tirar de lá os esqueletos e, sim, se preciso for impedir que prossiga com a candidatura, que deveria ser interrompida imediatamente para que ele explique à Justiça, como um senador da República pôde ir dialogar e achacar um bandido – foi o que Flávio fez -, a fim de forrar uma candidatura que deveria ter sido morta pela força da Lei? Há muito a ser apurado e é hora de olhar com lupa a vida de Flávio Bolsonaro.

*Denise Assis é jornalista e mestra em Comunicação pela UFJF. Trabalhou nos principais veículos, tais como: O Globo; Jornal do Brasil; Veja; Isto É e o Dia. Ex-assessora da presidência do BNDES, pesquisadora da Comissão Nacional da Verdade e CEV-Rio, autora de “Propaganda e cinema a serviço do golpe – 1962/1964” , “Imaculada” e “Claudio Guerra: Matar e Queimar”

Foto reproduzida da Internet

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