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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Economia

Furo do Brasil 247 em 2021 já revelava aconselhamento de Roberto Campos Neto com banqueiro André Esteves

por Florestan Fernandes, no Brasil 247

Em que país um presidente de Banco Central que se diz autônomo consulta banqueiro sobre “limite da taxa de juros”? Acredito que só no Brasil. Aqui, fazendo um trocadilho com a célebre frase do ex-ministro e general Eduardo Pazuello, é simples assim: o mercado manda e o presidente do BC obedece. 

O BC integra os órgãos reguladores do mercado financeiro e, na prática, tem a função de regular e supervisionar as instituições financeiras do país. Quando se fala em autonomia do BC, não se trata tão somente de autonomia frente ao governo; é também autonomia em relação ao ente regulado. Parece óbvio, mas no Brasil até o óbvio precisa ser reiterado.

E aí me vem à memória que há um áudio vazado e publicado com exclusividade pelo Brasil 247em 24 de outubro de 2021. Lá, o banqueiro André Esteves, “starman” do mercado financeiro, afirma que foi consultado pelo presidente do BC “autônomo”, Roberto Campos Neto, sobre o limite da queda da Selic. Traduzindo: um mega operador do mercado monetário sendo consultado sobre o valor mínimo da Selic. A mesma Selic que impacta o seu e meu feijão na panela, o juro do crédito consignado nosso de cada dia. Percebem a insanidade disto? 

Esse mesmo Esteves que já foi apresentado, num ato falho do ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, como o novo secretário do Tesouro Nacional. Ele é dono do BTG Pactual e da Editora Abril, que publica as revistas Veja e Exame. No áudio vazado, Esteves comemorava o fato de que caso Lula vencesse a eleição para presidência, o Brasil ainda teria mais dois anos de Roberto Campos Neto. 

Ainda na conversa gravada com clientes do BTG Pactual e publicada pelo 247, Esteves ataca a ex-presidente Dilma Rousseff, elogia Michel Temer e diz que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, o procurou no dia em que vários secretários de Paulo Guedes pediram demissão. Ou seja, se jacta de ser o “consultor geral” das instituições da República, para temas envolvendo economia.

Veja, descrente leitor, o quão longe estamos da ideia de República. Essa relação promíscua dos altos escalões do poder político e até mesmo institucional com o mercado financeiro é muito conhecida. Vide esses congressos que fazem na Europa e nos EUA para “discutir o Brasil”. São financiados por grandes bancos e empresários. Além de imoral, é colonialista… discutir o Brasil em terras além-mar é de lascar.

O bom do jornalismo é que ele deixa registros da história, para o bem e para o mal. Seguindo a linha desses fatos, dá pra entender como chegamos até aqui. Não existe evento isolado; tudo está conectado, encadeado numa relação de causa e efeito. Também seguem visíveis as digitais dos que “legalmente” ficam com o dinheiro da banca.

PS: Diz o Art. 37 da Constituição Federal: “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e… “

O artigo 37 da Constituição Federal manda lembranças.

* Florestan Fernandes Júnior é jornalista, escritor e Diretor de Redação do Brasil 247

Imagens reproduzidas do site Brasil 247


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