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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Governo Lula suspeita de influência trumpista em ofensiva de Milei contra o Brasil

Está no Brasil 247

A crise diplomática entre Brasil e Argentina acendeu um alerta no Palácio do Planalto sobre uma possível influência da política externa de Donald Trump na postura recente de Javier Milei. Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que os ataques do presidente argentino ao Brasil e a autoridades brasileiras não devem ser analisados de forma isolada. A avaliação foi relatada pelo Metrópoles, segundo interlocutores do governo brasileiro. 

Para membros do Planalto, Milei teria incorporado parte da retórica adotada por Washington contra o Brasil, em um contexto de tensão diplomática com países alinhados ao trumpismo e de aproximação do calendário eleitoral brasileiro.

Nesta semana, o governo Lula rebaixou a relação diplomática com a Argentina ao decidir que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não tem prazo para retornar ao posto. Com isso, a representação brasileira no país passa a ficar sob responsabilidade de um encarregado de negócios.

A decisão ocorreu após uma sequência de críticas feitas por Milei ao Brasil e a autoridades brasileiras. Nos últimos dias, o presidente argentino atacou o governo brasileiro em ao menos quatro ocasiões. Segundo a avaliação de interlocutores de Lula, uma escalada desse tipo não era registrada desde a campanha eleitoral argentina, quando Milei disputou a Presidência contra Sergio Massa, candidato de esquerda que recebeu acenos do petista.

No Planalto, a leitura é que o argentino pode ter sido “contaminado” pela política norte-americana em relação ao Brasil, especialmente pela postura do Departamento de Estado. Não há, segundo integrantes do governo brasileiro, uma percepção de coordenação formal entre a Casa Rosada e a Casa Branca, mas sim de convergência política e ideológica.

A tensão com Buenos Aires ocorre em meio a outros atritos diplomáticos envolvendo o Brasil e governos alinhados a Trump. O Paraguai, comandado por Santiago Peña, também reagiu recentemente a declarações de Lula. Assunção convocou o embaixador brasileiro, e o Senado paraguaio aprovou uma moção de repúdio às falas do presidente brasileiro.

Apesar disso, a crise com a Argentina é vista como mais sensível pelo governo Lula. A decisão de rebaixar a representação diplomática marca o ponto de maior tensão entre os dois países desde a posse de Milei.

Nos últimos meses, o Brasil também passou a ser alvo de medidas norte-americanas interpretadas por integrantes do Planalto e do Itamaraty como hostis ou politicamente motivadas. A preocupação central é que essas iniciativas possam buscar algum grau de influência sobre o processo eleitoral brasileiro.

O temor ganhou força em 9 de julho de 2025, quando Trump enviou uma carta a Lula anunciando tarifa de 50% sobre o Brasil. No documento, o republicano citou nominalmente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que ele era alvo de uma “caça às bruxas”.

Outra medida observada pelo governo brasileiro foi a prorrogação, por mais um ano, do “estado de emergência” contra o Brasil. Embora sem efeito prático imediato, a decisão é vista por autoridades brasileiras como instrumento que poderia justificar futuras sanções ou ações contra o país.

Também foi interpretada como recado político a alteração no visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti. A medida não retirou seu status diplomático, mas, na avaliação do governo brasileiro, abriu uma brecha no passaporte da representante que restringe seu livre trânsito pelo país.

Washington justificou a decisão pela demora na aprovação do embaixador norte-americano indicado ao Brasil e pela negativa brasileira de visto a duas autoridades dos Estados Unidos que pretendiam visitar o país. Segundo integrantes do governo, a visita teria como objetivo interferir no processo eleitoral brasileiro, razão pela qual os pedidos foram recusados.

Nesse cenário, interlocutores de Lula enxergam a eleição brasileira deste ano como um teste para a estratégia de influência de Trump na América Latina. A crise com Milei, portanto, é interpretada como parte de um ambiente regional mais sensível, em que disputas ideológicas e interesses eleitorais se sobrepõem à diplomacia tradicional.

A avaliação no governo brasileiro é que Milei pode estar usando os ataques ao Brasil tanto para estreitar laços com Washington quanto para se posicionar no debate político argentino. O presidente da Argentina enfrenta dificuldades em pesquisas de opinião sobre seu governo e sua condução do país.

Para interlocutores de Lula, Milei poderia se beneficiar, politicamente, de um eventual cenário em que o Brasil fosse governado por um presidente de direita e próximo a ele. O argentino esteve no Brasil na última semana para participar da convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Foi durante esse evento que Milei voltou a atacar Lula e se referiu a Jair Bolsonaro como “amigo”.

Foto reproduzida da Internet

Em tempo: confira o meu comentário sobre o assunto publicado no BBNEWS TV e no Canal YouTube (BBTV Carlos Alberto) no dia 28 de julho último clicando aqui

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