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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

`Há conexão entre Carbono Oculto e Dark Horse´, diz piloto que revelou elo entre Centrão e PCC

Está no ICL Notícias

“Muito possivelmente existe um vínculo dos fundos da Carbono Oculto com o Dark Horse”. É o que projeta o piloto Mauro Caputti Mattosinho, diante da revelação que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República pelo PL, voou em uma aeronave do banqueiro Daniel Vorcaro.

A viagem aconteceu em janeiro de 2025 e foi revelada em uma reportagem publicada na quinta-feira (24) pela Revista Piauí. O voo partiu de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino final a Brasília. Na viagem, de acordo com a publicação, Flávio estava ao lado da esposa, a cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, além das duas filhas do casal. Entre os passageiros estava ainda o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, e investigado no esquema de desvios bilionários do INSS.

Mattosinho traça um caminho do dinheiro que envolve grandes fundos financeiros e desemboca na facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). “Já está claro que foram algumas dezenas de milhões de reais que percorreram esse caminho, que começa na Carbono Oculto, o fundo REAG, abaixo dele um fundo chamado Gold Style, que manda dinheiro para uma fintech chamada BK Bank, que é conhecida como a fintech do PCC. E do BK Bank vai para a Entre Investimentos”, diz o piloto.

A Entre Investimentos pertencia ao empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, mas foi liquidada pelo Banco Central em março deste ano. A empresa foi usada para repasses milionários ao fundo Havengate Development Fund LP, fundo que tem endereço no Texas e recebeu o dinheiro de Vorcaro para o filme Dark Horse.

“Esse é o mesmo caminho pelo qual o Dark Horse recebia dinheiro do Vorcaro, ao que tudo indica passando pela Entre Investimentos e seguindo para o Havengate. Então, essa Entre Investimentos funciona como esse hub de distribuição de valores que era desse ecossistema do Banco Master, mas que também recebia do ecossistema da Carbono Oculto” , pontua Mattosinho.

O piloto foi responsável por revelar ao ICL Notícias,  no final do ano passado, esquemas envolvendo políticos e empresários acusados de terem conexão até com o crime organizado.

Mattosinho trabalhava na empresa Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) onde atuava como piloto de Roberto Augusto Leme da Silva, Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, apontados, pelo Ministério Público de São Paulo e a Polícia Federal, como chefes do esquema criminoso do PCC que envolve a gestão de fundos de investimentos na Faria Lima para lavagem de dinheiro do crime organizado e fraudes fiscais bilionárias no setor de combustíveis. Nesta eleição, concorre a deputado federal, pelo PSB de São Paulo.

“Acho que é correto questionar se não haveria dinheiro dessas lideranças do PCC, Beto e Primo, também nesse financiamento do Dark Horse.”, completa.

Primo e Beto Louco
Primo e Beto Louco

Em 2025, Mauro Mattosinho denunciou ao ICL Notícias que o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, está entre os verdadeiros donos de quatro dos dez jatos executivos operados pela empresa de táxi aéreo. O piloto contou, ainda, ter transportado em voo uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo, na mesma data em que Beto Louco mencionou a outros passageiros que teria um encontro com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP.

Em entrevistas e programas eleitorais gratuitos, Flávio Bolsonaro tem defendido abertamente caracterizar as facções criminosas do Brasil – como Comando Vermelho e PCC – como organizações narcoterroristas, o que atende a um pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Voo de Flávio Bolsonaro

A aeronave em que Flávio voou de volta para o Brasil é um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. De acordo com a piauí, foi a mesma que transportou o ministro Alexandre de Moraes em agosto de 2025, segundo imagens apresentadas pelo colunista Lauro Jardim, do Jornal O Globo.

“Um voo no Legacy 650 no mercado deve estar na faixa aí, pensando nesse trajeto da Flórida para o Brasil, seria algo na casa aí de R$ 500 mil. Talvez até mais, dependendo aí da negociação que for feita com o táxi aéreo”, diz Mattosinho.

O piloto pontua ainda que Flávio Bolsonaro deveria apresentar o contrato de locação da aeronave. “A gente precisaria, por exemplo, do contrato desse voo, porque se ele usou o táxi aéreo de forma legítima, ele tem que ter assinado um contrato de prestação de serviço de táxi aéreo. E eu acho que seria interessante o Flávio Bolsonaro apresentar esse contrato para esclarecer em que circunstâncias foram realizados esses voos”, completa.

A empresa Prime You, que tinha então Vorcaro como um dos sócios, era dona de um terço das cotas da aeronave na data do voo. A aquisição aconteceu no fim de 2024.

Conforme relatório da Polícia Federal, cada uma das cotas do avião valia, em maio de 2025, US$5,5 milhões. A proprietária formal da aeronave era a Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., uma sociedade com propriedade compartilhada do jato.

A divisão era feita em três partes: Willer Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings; Laércio Cosentino, fundador da TOTVS; e a terceira, que já pertenceu ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e teria sido vendida à Prime You, de Daniel Vorcaro, no fim de 2024.

Flávio Bolsonaro na Fiesp. Foto: Fotoarena/Folhapress
Flávio Bolsonaro na Fiesp. Foto: Fotoarena/Folhapress

Flávio Bolsonaro ironiza uso de avião

Na rede social X, o presidenciável do PL ironizou a informação. “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu o candidato em seu perfil pessoal.

Em julho deste ano, Flávio havia dito que nunca tinha entrado em um avião que pertencesse a Daniel Vorcaro. A fala foi resgatada depois da denúncia vir à tona.

“A única relação que eu tive com o Vorcaro é sobre o filme do meu pai. Vocês não vão ver eu [sic] em festinha de Vorcaro, em clubes de whisky de Vorcaro. Vocês não vão me ver viajando para Londres, Estados Unidos, para Paris, para tudo que é lugar. Nunca entrei em avião do Vorcaro”, disse o senador na ocasião.

Imagens reproduzidas da Internet

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