Política

Investigadores do caso Marielle decidiram pelas prisões para evitar achincalhe, por Janio de Freitas

Está no Jornal GGN, de Luís Nassif

Durante coletiva de imprensa, concedida logo após a prisão do militar reformado Ronnie Lessa e do ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, acusados de terem matado a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes, as promotoras responsáveis pelo caso disseram que a motivação de Lessa (o disparador dos tiros) foi “por repulsa à atuação política da vereadora” e obsessão contra “pessoas que se dedicam às causas das minorias”.

Na mesma coletiva, as procuradoras arremataram, entretanto, que a “repulsa” não exclui que o crime possa ter sido encomendado por motivações políticas. Na coluna na Folha de S.Paulo, nesta quinta-feira (14), data em que se completa um ano da morte de Marielle, Janio de Freitas chama atenção para uma “descoberta involuntária” dos investigadores ao chegarem na casa de Lessa: estoque de armas de combate, especificamente 117 fuzis M-16, e outros aparatos como silenciadores.

A explicação inicial dada pela polícia e promotoras ao estoque de fuzis é que estariam diante de um contrabandista. “É uma hipótese. A mais fácil”, pontua Janio.

“As armas à espera de montagem indicam uma técnica de contrabando ainda não considerada aqui. Exceto umas três peças —gatilho, cano e coronha, de formas muito conhecidas—, as demais podem entrar até por vias legais, como peças de reposição para tal ou qual indústria. As outras podem ter fabricação aqui”, analisa o colunista.

Janio segue destacando que o fator da entrada ilegal de armas “dá à Polícia Federal, enfim, uma brecha para a ansiada presença no caso Marielle”.

“Ronnie Lessa é um veio novo, proliferante e, sabe-se lá, talvez inconveniente para partes das polícias. A criminalidade expandida no Brasil reserva ainda assombrosas surpresas”, observa.

O articulista rebate ainda o argumento das promotoras de que a divulgação dos autores da morte de Marielle aconteceu porque as investigações estavam “maduras”. O fato é que as prisões ocorreram muito próximas da data de se completar um ano do crime, e isso poderia suscitar ridicularização da opinião pública contra os investigadores do caso.

Janio ressalta que é possível que as promotoras e policiais soubessem quem eram os responsáveis pelo crime desde o ano passado.

“Pouco depois de assumir, o governador Wilson Witzel não se aguentou e, sem motivo para tanto, disse a repórteres que “logo se saberá quem cometeu o crime”. Talvez não soubesse o nome, mas estava informado da identificação feita. Antes de encerrada a intervenção na Segurança do Rio, em 31 de dezembro, os interventores e generais Richard e Braga já diziam esperar a revelação ainda antes de deixarem os cargos”, explica o colunista.

De fato é estranho que a inteligência da polícia e da promotoria carioca tenham demorado para executar os mandados de prisão. O caso não está concluído, resta os investigadores determinaram quem foram os mandantes dos crimes e a real intenção com a morte de Marielle.

Para Janio, “criar essas fantasias de segunda fase, estado maduro e que tais não ludibria os visados e engana o público”.

“Melhor é Bolsonaro, que na campanha deu aos opositores a escolha entre ir para a cadeia ou para o exílio, e já dois —a filósofa Márcia Tiburi e o eleito deputado Jean Wyllys — foram salvar as suas e as vidas de parentes onde lhes deem esse direito”, conclui. 

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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