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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Geral

Jornalismo é para fortes

Está no blog Desilusões Perdidas, de Duda Rangel

O início das aulas numa faculdade de jornalismo

Para o povo do primeiro ano

O contato com a primeira e talvez a mais importante disciplina do curso: Sociologia do Boteco. Calouro precisa confraternizar, conhecer os veteranos. Será que rola gente interessante? Tudo é novidade: as aulas, os desafios, as ilusões. Tudo é uma grande festa: o fim de noite na república, os congressos de comunicação. Tudo é descoberta. Descobrir, por exemplo, que é preciso começar a ler. Pode jornalista que não gosta de ler? Não, não pode. Pintam aqueles caras chatos, mas essenciais: Adorno, Marcuse, McLuhan. E o McDonald´s, claro, para matar a fome.

Para o povo do segundo ano

Porra, ainda faltam três anos (primeiros sinais de ansiedade). Sociologia do Boteco II, uma espécie de módulo avançado. Agora o lance é confraternizar com os novatos, pintar a cara dos novatos, beber a cerveja paga pelos novatos. Reparando bem, a turma está menor. Quem desistiu mesmo? Tempo de promessas: este ano, eu começo a ler jornal sem falta. Tempo das primeiras grandes dúvidas: será que vai rolar aula prática? Começo um estágio ou fico no emprego atual para pagar o curso? Será que esta minha vida pobre de estudante acaba quando eu me formar?

Para o povo do terceiro ano

O bar, claro, para não perder o costume. Não foi metade do curso, falta metade do curso. Caraca, dois anos ainda? Mas a galera já se sente metade jornalista, o que, convenhamos, já é alguma coisa. Este ano, as aulas prometem: vai ter entrevista de verdade, programa de rádio, TV e o escambau. Bem que poderia ter uma disciplina sobre finanças pessoais também, né? Estágio, estágio, estágio. A turma está ainda menor. Será que sobra alguém? Jornalismo é para os fortes.

Para o povo do quarto ano

É o ano da mistureba de sentimentos: angústia, euforia, medo, alívio. Quase não existem mais as confraternizações. Porque é reta final, porque tem TCC, porque tá todo mundo com a cabeça no futuro esquecendo o presente, porque o tempo escassa. A saudade começa a bater. Queria tanto que acabasse e, agora que está acabando, o povo não quer mais que acabe. Saudade dos amigos, das descobertas, das crises, dos trabalhos em grupo, de alguns professores e da Sociologia do Boteco, sem dúvida a mais importante disciplina do curso.

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