E-book

Baú de um Repórter

O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.

Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Lula diz que Marcola errou ao pedir dinheiro a lobista, que filho vai pagar se cometeu ilícitos e que deseja `recuperar território´ do crime

Está no g1

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu na quinta-feira (27) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.

Caso Lulinha

O presidente e candidato à reeleição afirmou que o filho dele Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito.

Ao ser questionado sobre investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho, o candidato disse que não interferirá nas apurações.

“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse.

“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho. Ele sabe que a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] morreu por conta da falsa acusação que foi feita a mim na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro.”

Lula disse que o que há contra Lulinha são “ilações” e comparou a situação do filho com a dele próprio.

O petista foi condenado e preso na Lava Jato e, um ano e sete meses depois, deixou a prisão. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial.

“Não me deixo impactar por ilações. Eu conheço muito e já fui vítima disso”, disse o presidente.

“Eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo, não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho.”

Sobre acusações entre uma suposta relação entre Lulinha e o ex-secretário do Ministério da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, Lula reforçou que as mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger não configuram necessariamente um sinal de crime, e que não haveria provas concretas de corrupção a funcionários públicos.

“Eu estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa no telefone não justifica absolutamente nada. Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, disse Lula.

Lula foi questionado sobre a relação entre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a Polícia Federal, Marcola teve despesas pessoais, como boletos, parcelas de financiamento, faturas de cartão, e joias pagas por Roberta.

O presidente respondeu que Marcola errou ao manter esse tipo de relação e disse que o episódio leva suspeitas para dentro do Palácio do Planalto e “gera desconfiança”.

“Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou Lula.

O presidente também chamou a lobista de “pilantra” ao comentar o conteúdo de conversas obtidas durante as investigações. “O que é que uma pilantra pode falar no telefone? Ou o que é que um cara qualquer pode falar no telefone?”, disse.

Lula afirmou, porém, que as mensagens, por si só, não comprovam a prática de crime e defendeu que seja apurado se houve liberação de dinheiro público.

“O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás?” Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime, aí está o crime”, disse.

Lula foi questionado sobre uma mensagem específica de Roberta Luchsinger obtida pela Polícia Federal, na qual a lobista disse que o presidente teria lhe oferecido um cargo e dito que escolhesse onde queria ficar. Em resposta, o candidato ironizou: “Só faltou ela dizer que eu ofereci para ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha da Aeronáutica”.

O presidente disse que isso não aconteceu:

“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger.

O Fato ou Fake, do g1, checou a informação e encontrou ao menos três fotos e um vídeo nos quais Roberta aparece ao lado do presidente Lula.

Um vídeo publicado no Instagram de Roberta em 20 de julho de 2022 exibe uma sequência de ao menos duas fotos nas quais a lobista aparece ao lado de Lula.

Há também imagens nas quais ela posa acompanhada das seguintes pessoas: a primeira-dama Janja; o candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT); o vice na chapa de Haddad, Márcio França (PSB); e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

Recuperar territórios do crime

O petista afirmou que, em um novo mandato, tem como desejo “recuperar o território” dominado pelos grupos criminosos e que pretende “enfrentar o andar de cima” das facções.

“Qual é o meu desejo? O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido; a escola é do povo, não é do bandido; o bairro é da população.”

Lula afirmou que o Brasil “está pronto e preparado” para trabalhar junto com os Estados Unidos para combater o narcotráfico e listou ações feitas pelo governo federal contra o crime organizado.

“Nós aprovamos agora uma lei antifacção, estamos trabalhando a questão do combate ao crime organizado. Por isso eu fui levar ao [Donald] Trump [presidente dos EUA] uma proposta por escrito”, disse Lula.

O governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, o que foi contra a visão do governo Lula por considerar a decisão como uma invasão à soberania brasileira.

Ministério da Segurança Pública

Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as atribuições do governo federal e dos estados. Disse que negocia a proposta com os presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.

A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Por que que eu vou criar o ministério? Porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federal na Segurança Pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do estado e qual vai ser o papel do município”, disse.

Criminalidade na Bahia

Ainda no contexto da PEC da Segurança Pública e o tempo do PT no poder, Lula foi questionado sobre a violência no estado da Bahia, que hoje tem cinco das 10 cidades mais violentas do Brasil e é governado pelo partido há 20 anos.

O presidente disse que a colocação era “injusta” com a Bahia.

“Nenhum governador do Brasil conseguiu resolver o problema da segurança pública, nenhum conseguiu segurar”, disse.

Escândalo do INSS

O presidente foi questionado sobre o envolvimento de pessoas do governo dele no escândalo de desvio de dinheiro público do INSS. Lula disse que R$ 3 bilhões foram ressarcidos.

“Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido dinheiro”, disse Lula.

“Esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos de […] uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época. Nós passamos dois anos investigando tanto a CGU quanto a Polícia Federal. Se a gente faz a denúncia antes de a gente ter o processo como um todo, a gente atrapalharia, facilitando os bandidos.”

Lula foi questionado sobre a relação com Carlos Lupi (PDT), que pediu demissão do cargo de ministro da Previdência em meio ao escândalo do INSS. Lula e Lupi apareceram juntos em evento de campanha.

“Ele não está condenado. É um cidadão livre. Você acha que pode deixar de conversar com uma pessoa que é sua amiga, que cometeu um erro, sendo que a pessoa está em liberdade e não está condenada? Se ele tivesse cometido, hoje, a Polícia Federal já tivesse acusado, ele já tivesse sido condenado, era uma coisa. Ele não está. Então, vamos aguardar a investigação”, disse Lula.

Fila do INSS

Lula respondeu sobre uma das promessas que fez ao assumir o terceiro mandato: zerar a fila do INSS.

O presidente respondeu que, na próxima semana, irá anunciar que a fila zerou. “A espera de 45 dias vai estar apenas em 251 mil pessoas, que é o normal”, disse aos entrevistadores.

O candidato à reeleição disse que “eles desmontaram o Brasil” e a Previdência, em referência ao governo anterior, de Jair Bolsonaro.

“Nós chegamos a 3 milhões de pessoas na fila, e nós vamos entregar agora a fila terminada na Previdência Social.”

Caso Master

Comentando sobre o caso Master e o suposto envolvimento do senador e ex-líder do PT no Senado, Jaques Wagner, Lula justificou que a relação do senador seria com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.

O presidente também foi questionado sobre o fato de estar atualmente fazendo campanha para a reeleição de Wagner ao Senado, apesar das investigações.

“As pessoas são inocentes até prova em contrário. (…) Ele é senador da República, candidato à reeleição, é um homem que tem relação comigo há 45 anos, desde o tempo de sindicalista. Eu não posso colocar em dúvida o comportamento e a relação do Wagner comigo por conta de uma ilação”, disse.

“Eu tenho confiança que o Wagner é honesto. Se ele cometeu um desvio, vai acontecer com ele o que vai acontecer com qualquer pessoa: vai pagar o preço do erro que cometeu.”

Dívida pública

Lula afirmou que, a ele, “não preocupa a dívida pública”. No terceiro governo de Lula, houve crescimento da dívida brasileira, que superou 80% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o presidente, uma das explicações para este aumento é a taxa de juros de 14% ao ano e o déficit fiscal de 2,8% que, nas palavras dele, “herdou” de Jair Bolsonaro (PL).

Lula afirmou que o crescimento do PIB durante seus últimos anos de gestão, acima de 2% ao ano, é parte da solução para o pagamento da dívida. Citou, ainda, dívidas de outros países para sustentar a tese.

“Na medida que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB”, disse.

Corte de gastos

Questionado se pretende reduzir gastos obrigatórios e quais seriam os cortes, como defendeu o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o presidente não especificou quais despesas pretende reduzir, garantiu que o país terá superávit e disse que pretende fazer uma “revolução tecnológica” no país em um eventual próximo mandato, com investimentos em inteligência artificial, minerais críticos, terras raras e defesa.

“Eu quero voltar a fazer com que esse país dispute com o mundo rico. Esse país vai ter que ser dono dos minerais críticos, das terras raras. […] É esse o futuro que eu quero para o país e é por isso que eu estou pleiteando o quarto mandato. Eu já acabei com a fome duas vezes. Quando eu voltei agora, esse país estava destruído. O déficit era 2,8%. O último foi 0,8% e, agora, vai ser positivo. Nós vamos fazer superávit.”

Terras raras

Lula mencionou uma reunião que teve com Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, em que tratou das terras raras brasileiras.

“Depois da China, possivelmente a gente está num país que tem mais minerais críticos e terras raras, e você percebe que está sendo vendido enquanto a gente não faz a regulação.”

“Vamos aprovar a regulação para que a gente não permita que as nossas riquezas sejam vendidas. Se a gente souber extrair, transformar e produzir os materiais que a gente pode fazer bateria, chip, celular aqui dentro do Brasil, a gente vai estar criando um passaporte para dar oportunidade para a juventude brasileira”, completou.

Correios

Outro assunto abordado na entrevista foi a crise das estatais e, mais especificamente, dos Correios, que acumulam quatro anos seguidos de prejuízo, em um rombo histórico de R$ 15 bilhões. Lula afirmou que a empresa enfrenta dificuldades há décadas. “Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios”, disse.

O presidente descartou a venda da estatal e afirmou que pretende recuperá-la. “Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios, sabe? E para ele prestar serviço de qualidade ao povo brasileiro. E ele pode fazer”, declarou. Lula também disse que, caso seja reeleito, a empresa sairá do déficit.

Para Lula, os Correios têm importância estratégica por estarem presentes em todos os municípios do país. Ele reconheceu, no entanto, que a estatal não conseguiu acompanhar as transformações do mercado de entregas. “Obviamente que os Correios são vítimas de uma crise, que ele não se adaptou a um novo tempo. Não se adaptou, surgiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice.”

Segundo o presidente, a empresa está agora sob uma nova administração, encarregada de “fazer o enxugamento que for necessário”. Lula afirmou ainda que, se preciso, poderá buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar e melhorar os serviços. “A gente quer um Correio prestando serviços junto com qualquer outra empresa.”

Educação

Na área da educação, Lula defendeu as medidas que adotou na sua gestão, como a ampliação das escolas de tempo integral, o pacto pela alfabetização na idade certa, o Pé-de-Meia e a expansão de universidades e institutos federais.

“Se tem uma coisa que eu tenho orgulho é que o Brasil nunca teve um presidente da República que cuidou da educação como eu cuidei”, disse.

Sobre um estudo do Todos Pela Educação segundo o qual seis em cada dez jovens concluem o ensino médio na rede pública sem o aprendizado básico em matemática, Lula destacou que a educação básica é administrada pelos estados e apontou Ceará e Piauí como exemplos de bons resultados.

“A educação básica é administrada pelo estado. O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação nesse país. Você sabia que 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica] são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza, como premiação”, disse.

Foto: Manoella Mello/Globo




Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *