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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Recentes pronunciamentos do presidente Donald Trump sinalizam na direção de que os Estados Unidos se preparam para não apenas atacar o Brasil, como para interferir no processo eleitoral brasileiro.
Em entrevista durante a reunião de cúpula do G7 em Evian, Trump afirmou que a situação do Brasil está “um pouco difícil” e que o país está “perigoso politicamente”.
Fez a declaração após ser perguntado se conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a questão das novas tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, ou sobre a classificação de organizações terroristas para o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
Trump respondeu dizendo que passou “bastante tempo” com o presidente brasileiro, mas não falou sobre as questões levantadas.
O presidente estadunidense preferiu mencionar os Bolsonaro, mas acabou confundindo os filhos do ex-presidente e decisões do Judiciário (a condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo) com posturas do Executivo.
“Ouvi dizer que prenderam alguém que estava concorrendo a um cargo hoje”.
Na quinta-feira, em outra entrevista, Trump referiu-se a Lula: “Não poderia me importar menos. Mas ele é um tipo diferente de pessoa agora. Muito volátil. Eu o vi fazendo um discurso”.
Lula obviamente não poderia deixar de abordar as referências contraditórias de Trump, feitas após tantos esforços do governo brasileiro por um acordo para evitar a imposição de tarifas pelos Estados Unidos contra importações de produtos “made in Brazil”.
O presidente Lula obviamente não poderia deixar de se manifestar.
E o fez sem buscar escalada verbal. Reafirmou que o Brasil é um país soberano e que cabe aos brasileiros decidir os destinos de sua democracia. Ao mesmo tempo, deixou claro que não aceitará interferências externas no processo eleitoral nacional, venham elas de onde vierem.
A reação era necessária. Não apenas pelas declarações de Trump, mas porque elas se inserem em uma estratégia mais ampla de aproximação da extrema-direita brasileira com setores da direita estadunidense. O histórico recente mostra que o bolsonarismo aposta na internacionalização de conflitos internos e na busca de apoio externo para fortalecer sua narrativa doméstica.
Os dados da opinião pública, entretanto, sugerem que essa estratégia encontra limites bastante claros. Pesquisa Datafolha divulgada nesta semana mostra que 65% dos brasileiros consideram indiferente o apoio de Trump a um candidato à Presidência da República. Apenas 17% afirmam que esse apoio aumentaria sua disposição de voto, enquanto 15% dizem que ela diminuiria. A ampla maioria dos eleitores, portanto, parece disposta a rechaçar a ingerência de um estrangeiro na escolha dos rumos políticos do Brasil.
O mesmo levantamento oferece outro ensinamento relevante. Apesar do esforço da oposição e de parte da mídia para transformar o caso envolvendo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, com o Banco Master, em fator de desgaste eleitoral para o Planalto, os números indicam que o episódio inicialmente não produziu impacto significativo sobre as preferências do eleitorado.
Lula permanece à frente de Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno, inclusive oscilando positivamente na pesquisa espontânea. O presidente mantém posição sólida na disputa e preserva a vantagem ampla que vem registrando nas pesquisas anteriores. Mais uma vez, os fatos mostram distância considerável entre a intensidade do debate político em Brasília e as preocupações efetivas da maioria dos brasileiros.
O contraste é eloquente. Enquanto Trump ensaia comentários sobre a política brasileira e setores da oposição apostam na repercussão dessas manifestações, os eleitores parecem mais preocupados com questões concretas do país do que com endossos vindos do exterior.
Lula não busca confronto com Trump. Não tem interesse em transformar divergências diplomáticas em espetáculo político. Mas também não foge quando atacado. E, diante de insinuações sobre a democracia brasileira ou de tentativas de influência externa sobre o processo eleitoral, seu dever institucional é responder. Foi exatamente o que fez. Como se registrou no episódio do tarifaço e agora na defesa do Pix, a intromissão de Trump pode até gerar um reforço da união nacional em torno do presidente, visto como expressão de um sentimento de amor ao país e às suas conquistas. Neste sentido, faz bem o presidente em alardear amplamente as entregas deste seu mandato.
Em meio a uma campanha eleitoral que se anuncia duríssima, em que inevitavelmente aparecerão percalços a enfrentar, o presidente deve, ademais, estar pronto para adotar as mudanças táticas e correções de rota adequadas a cada caso, a partir de uma análise ponderada, mas rápida, das vulnerabilidades que surjam, como no caso do senador Jaques Wagner e as acusações que lhe imputam.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
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