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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Milei, que apoia Flávio, ampliou vigilância em massa dos argentinos, diz Anistia Internacional

Está no Blog da Sandra Cohen, no g1

Em seus dois primeiros anos, o governo de Javier Milei, ampliou as capacidades de vigilância em massa na Argentina, criando um efeito inibidor sobre os direitos à privacidade, à liberdade de expressão e à realização de protestos pacíficos.

Um relatório da Anistia Internacional documenta como o governo incrementou, por meio de reformas institucionais, a coleta de informações e seus mecanismos de monitoramento em massa dos argentinos.

De acordo com a entidade de direitos humanos, o governo investiu, entre 2024 e 2025, pelo menos US$ 1,2 milhão em novas tecnologias, como rastreamento de mídias sociais, reconhecimento facial e equipamentos de vigilância aérea – projetadas para coletar, verificar e visualizar grandes volumes de dados de mídias sociais, sites, dark web e outros bancos de dados públicos.

Com o título de “Estado de Vigilância: A Expansão do Uso de Tecnologias de Vigilância em Massa pelo Governo da Argentina”, o relatório demonstra que estas aquisições incluem 69 drones e 11 estações de controle terrestre com recursos de rastreamento automatizado, câmeras térmicas e transmissão de imagens em tempo real.

Somente no ano passado, 300 protestos foram registrados no país, num ambiente de insatisfação devido basicamente aos cortes nos gastos públicos, ao endividamento e às reformas trabalhistas.

Para a diretora-adjunta da Anistia Internacional Argentina, Paola Garcia Rey, o uso generalizado de ferramentas de vigilância tem efeitos devastadores e forma uma rede de controle estatal que busca desencorajar protestos e limitar vozes dissidentes.

“Quando as autoridades buscam se esquivar do escrutínio público, aqueles que questionam ou exigem respostas podem se tornar alvos de diversas formas de vigilância, controle e repressão, aprofundando as práticas autoritárias”, afirma.

Para elaborar o relatório de 64 páginas, a Anistia Internacional ouviu 21 pessoas, entre jornalistas, ativistas e aposentados, e mergulhou na análise de documentos de compra das tecnologias de vigilância.

O pesquisador e consultor em Inteligência Artificial e Direitos Humanos da organização, Matt Mahmoudi, observa que a Argentina não é um caso isolado:

“Em todo o mundo, Estados que implementam práticas autoritárias estão ampliando o uso de tecnologias de vigilância, que se tornaram parte integrante da infraestrutura de controle estatal contra defensores de direitos humanos, jovens, imigrantes, grupos marginalizados e deslocados e dissidentes. Muitas vezes, isso é acompanhado por falta de supervisão, transparência e responsabilização”.

Decretos e medidas ministeriais permitiram a expansão da vigilância baseada em Inteligência Artificial no país. Em julho de 2024, a então ministra da Segurança, Patricia Bullrich, criou a Unidade de Inteligência Artificial Aplicada à Segurança, autorizada a patrulhar mídias sociais abertas, aplicativos, sites e a dark web, e a permitir o reconhecimento facial em tempo real por meio de imagens de câmeras de segurança.

A Anistia Internacional cita a compra, em outubro do ano passado, de uma licença de reconhecimento facial da Clearview AI, que conta com um banco de dados com mais de 70 bilhões de imagens faciais.

A empresa já foi multada na França, Itália, Grécia e Holanda por práticas irregulares de uso de dados, mas o Ministério da Segurança afirma que a Polícia Federal usa o reconhecimento facial apenas em investigações judiciais em andamento.

Em seu documento, a Anistia recorre ao termo tecnoautoritarismo para associar o uso da tecnologia ao controle governamental e recomenda à Argentina a proibição do reconhecimento biométrico remoto para a vigilância em massa de seus cidadãos.

As entrevistas incluídas no relatório dão conta que a intimidação se traduz em moderação do discurso, participação reduzida em protestos e autocensura nas redes sociais. Revelam que o monitoramento sistemático dos argentinos intimida e muda comportamentos, mas, ao que tudo indica, veio para ficar.

*Sandra Cohen é especializada em temas internacionais, foi repórter, correspondente e editora de Mundo em ‘O Globo’

Foto reproduzida da Internet

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