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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Geral, Política

Minha solidariedade ao colega Adriano de Souza

Perfeito o artigo – Os meninos (e as meninas) do milho – do jornalista Adriano de Souza, a quem conheço desde os tempos de banco de faculdade, publicado hoje no Novo Jornal. Adriano foi direto no fígado daqueles que fazem o jornalismo de resultado, o jornalismo chapa branca. Já passei por situação parecida no JH Primeira Edição e sei bem do que fala Adriano de Souza. Eís o texto primoroso que ele escreveu:

Ok, vocês venceram: micarlem-se à vontade, enquanto eu me calo. Porém, antes de descer (voluntariamente) ao oblívio, vai a última pedra de ponta guardada no meu bisaquinho de capa-gato (os jornalistas são vocês).

Em dois meses, escrevi 9 artigos sobre temas e figuras da política natalopolitana, com a liberdade de tom e de linguagem que o Novo Jornal dá aos colaboradores. Era uma tentativa de pedagogia dissonante, perfilhando figuras públicas, por minha conta e risco, sem outra motivação que a do retratista: fixar uma visada pessoal. Não é a visada certa. Não é a visada errônea. É a minha visada, escrita com as mãos limpas, enunciada de cara limpa. Quem discorde, que conte a sua, ressaltando (se os há) os traços que eu não vi. E assine embaixo.

Houve quem gostasse do que escrevi, por inesperado, anômalo ou incongruente com a voz hegemônica que, sendo vária, é uma só, a bafejar as nulidades triunfantes. Todavia, os artigos geraram pequenos tremores semanais nalguns gabinetes da planície e do planalto. Nunca recebi contestação frontal de assuntados ou retratados. Mas o descontentamento com os textos ecoou nas sucursais da PPP que sustém os cordéis de certa banda podre do jornalismo. E os descontentes fizeram (usando essas correias de transmissão) o único que podem: atiçar alguns esbirros para abafar os textos, com a desqualificação do autor, através de fakes na internet.

Houve um esbirro (é um joinha) que se requintou: postou elogio oficial e, no paralelo, os desqualificativos, emboscando-se no fake comum a uma das curriolas de capitães-de-mato dessa banda podre. Mas, a merdiocridade (mesmo anônima) deixa rastros: certa construção frasal, os cacoetes sintáticos, o léxico chapado, os vínculos, as tentativas frustras de pendurar o post em outros blogs.

A tática da intimidação é manjada, e era previsível: não imagino que todas as excelências do lugar ponham a liberdade de expressão acima do espelho de casa. Se o fizessem, não patrocinariam essa seita do “jornalismo de resultados”, regida por bispos que, em curiosa inversão, pagam o dízimo aos fiéis, ao invés de recebê-lo. É um dízimo peculiar, para crentes de nome pitoresco: os meninos e as meninas do milho. Quem são eles? Ora, perguntem aos reverendos que os batizaram assim. Ou leiam as listas incorporadas como rubrica pétrea a orçamentos de serviços.

Os meninos e as meninas do milho não têm nomes: eles são um tipo. Os nomes são o nada, diante do fato maior: a jagunçagem cristalizada como política pública, sancionada e cevada por quem deveria reprimi-la.

A esses bispos e suas biscas, aos patriarcas sem peias e aos noviços sôfregos, concedo: podem jogar bola com a minha cabeça.


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