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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O mundo está se tornando mais desconfiado, mais fragmentado e mais fechado em si mesmo. Essa é a principal conclusão do Edelman Trust Barometer 2026, um dos mais influentes estudos internacionais sobre confiança nas instituições, divulgado pelo Edelman Trust Institute. Baseado em uma pesquisa realizada com 33.938 entrevistados em 28 países, entre outubro e novembro de 2025, o relatório identifica uma transformação profunda nas relações entre cidadãos, governos, empresas, mídia e sociedade.
Segundo o levantamento, o conceito central da edição deste ano é a “insularidade” — definida como a crescente relutância das pessoas em confiar em qualquer indivíduo ou instituição que seja percebido como diferente, seja por valores, opiniões políticas, cultura ou fontes de informação. Essa tendência surge após anos marcados por polarização política, pandemia, inflação, guerras, desinformação e insegurança econômica.
A confiança deixa de ser universal e passa a ser local
A Edelman identifica uma mudança estrutural na maneira como as pessoas distribuem sua confiança.
Em vez de confiar em instituições nacionais ou internacionais, cresce a tendência de confiar apenas no círculo mais próximo: familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho.
Ao mesmo tempo, líderes políticos nacionais, grandes organizações de mídia e dirigentes empresariais estrangeiros registram perdas expressivas de credibilidade.
O relatório resume esse movimento afirmando que “o medo aumenta e a confiança se torna local”.
Polarização, ressentimento e isolamento
A pesquisa descreve uma sequência que ajuda a explicar a deterioração da confiança mundial.
Primeiro surge a polarização política.
Depois aparece o ressentimento contra sistemas considerados injustos.
Por fim, instala-se a insularidade: a rejeição ao diálogo e a dificuldade de confiar em quem pensa diferente.
Segundo a Edelman, fatores como pandemia, desinformação, discriminação, tensões geopolíticas, aumento do custo de vida e deslocamentos econômicos aceleraram esse processo em praticamente todos os continentes.
Países emergentes confiam mais do que economias desenvolvidas
Um dos resultados mais marcantes do estudo mostra uma divisão entre economias desenvolvidas e emergentes.
Enquanto os países desenvolvidos registram índice médio de confiança de apenas 49 pontos, os emergentes alcançam 66 pontos, ampliando ainda mais essa diferença.
A China aparece novamente entre os países com maior nível de confiança institucional, alcançando 80 pontos.
O Brasil também melhora seu desempenho, passando de 51 para 56 pontos, saindo da zona neutra para a faixa considerada de confiança.
O Brasil melhora
Embora continue distante dos países asiáticos líderes do ranking, o Brasil apresenta uma evolução relevante.
O índice brasileiro sobe cinco pontos em relação ao ano anterior, movimento que acompanha a recuperação observada em outras economias emergentes.
Esse resultado coloca o país acima de diversas economias desenvolvidas, como Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Japão.
Empresas nacionais inspiram mais confiança
Outra conclusão importante do relatório diz respeito ao aumento da confiança em empresas domésticas.
No Brasil, 60% dos entrevistados afirmam confiar mais em empresas sediadas no próprio país, contra 53% nas companhias estrangeiras.
Embora a vantagem brasileira seja relativamente pequena — apenas sete pontos — ela confirma uma tendência mundial de valorização das empresas nacionais diante das tensões geopolíticas e comerciais.
Desigualdade amplia a crise da confiança
A Edelman mostra que a diferença de confiança entre ricos e pobres mais do que dobrou desde 2012.
Hoje, pessoas de alta renda apresentam índice médio de confiança de 63 pontos, enquanto entre os grupos de baixa renda o indicador cai para 48 pontos.
Segundo o estudo, essa desigualdade cria “realidades institucionais paralelas”, nas quais diferentes grupos sociais passam a enxergar governos, empresas e mídia de maneiras completamente distintas.
Mesmo assim, as empresas continuam sendo a instituição mais bem avaliada por ambos os grupos.
Apenas um terço acredita em um futuro melhor
Talvez o dado mais preocupante do relatório seja o pessimismo em relação às próximas gerações.
Apenas 32% dos entrevistados acreditam que seus filhos viverão melhor do que vivem hoje.
Esse percentual caiu quatro pontos em apenas um ano.
A deterioração é particularmente forte em países asiáticos como China, Índia, Singapura e Tailândia, onde o otimismo sofreu quedas de dois dígitos.
Medo econômico bate recorde
O levantamento mostra ainda um crescimento histórico das preocupações econômicas.
Entre trabalhadores empregados:
Ambos representam os maiores níveis registrados desde o início da série histórica da Edelman.
A desinformação passa a ser vista como arma internacional
Outro indicador chama atenção.
O percentual de pessoas que acreditam que governos estrangeiros espalham deliberadamente desinformação para dividir outros países atingiu o maior nível já registrado.
Globalmente, 65% compartilham essa preocupação, crescimento de onze pontos desde 2021.
Segundo a Edelman, essa percepção reforça ainda mais o fechamento das sociedades e a desconfiança em relação ao ambiente internacional.
Cada vez menos pessoas procuram opiniões diferentes
O estudo identifica também um recuo significativo da disposição para ouvir posições políticas divergentes.
Apenas 39% dos entrevistados afirmam buscar regularmente fontes de informação com orientação política diferente da sua.
Em vinte dos 28 países pesquisados houve queda significativa nesse indicador em apenas um ano.
Na prática, isso significa que as chamadas “bolhas de informação” continuam se fortalecendo.
Inteligência artificial amplia insegurança entre trabalhadores
Embora utilize dados de um levantamento complementar realizado em 2025, a Edelman conclui que a inteligência artificial também se tornou fonte de ansiedade.
Entre pessoas de baixa renda, 54% acreditam que serão deixadas para trás pela IA generativa.
No caso brasileiro, esse padrão aparece de forma diferente: a percepção de risco é relativamente semelhante entre faixas de renda, indicando que a preocupação com os impactos da inteligência artificial atravessa diferentes grupos sociais.
O desafio da reconstrução da confiança
Diante desse cenário, o Edelman Trust Barometer defende que empresas, governos, organizações sociais e lideranças públicas assumam um papel ativo na reconstrução da confiança.
A proposta central do relatório é substituir a lógica da confrontação por mecanismos capazes de aproximar grupos que hoje se enxergam como adversários permanentes.
Após 26 anos acompanhando a evolução da confiança no mundo, a edição de 2026 conclui que a maior ameaça às democracias e às economias talvez não seja apenas a polarização política, mas a crescente incapacidade das sociedades de reconhecer uma realidade compartilhada e de confiar em pessoas que pensam diferente.
Imagem ilustrativa
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