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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
A Polícia Federal deve ouvir nesta quinta-feira Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, no inquérito que apura suspeitas de favorecimento indevido à instituição financeira por servidores do Banco Central. O depoimento está previsto para as 10h e ocorre em uma nova etapa das investigações sobre a relação do ex-banqueiro com dois ex-supervisores da autoridade monetária.
A oitiva acontece após uma operação da PF que teve Vorcaro como alvo e depois de não avançarem as negociações para um eventual acordo de colaboração premiada. O ex-banqueiro está preso preventivamente desde março de 2026. Antes disso, já havia sido detido em novembro de 2025, na primeira fase da Operação Compliance Zero, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
O foco do inquérito é a atuação dos ex-supervisores do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. De acordo com a investigação, eles mantinham proximidade com Vorcaro no período em que o Banco Master enfrentava dificuldades de liquidez e era alvo de fiscalização da autoridade monetária. A apuração busca esclarecer se os servidores receberam vantagens financeiras e atuaram para beneficiar o então banqueiro em discussões internas sobre fiscalização, socorro financeiro e medidas regulatórias.
Segundo pessoas ligadas à defesa, a expectativa é que Vorcaro apresente sua versão sobre os fatos investigados. O depoimento deve servir para confrontar elementos reunidos pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pelo próprio Banco Central ao longo da investigação.
As suspeitas ganharam força a partir de apurações internas do Banco Central e de depoimentos prestados à PF pelo diretor de Fiscalização da instituição, Ailton de Aquino. Ele afirmou que as dúvidas sobre o Banco Master surgiram no início de 2025, quando o banco, apesar de enfrentar problemas de liquidez, continuava realizando operações de cessão de crédito ao Banco de Brasília, o BRB, em volumes bilionários.
De acordo com Aquino, uma equipe do Departamento de Monitoramento concluiu posteriormente que carteiras de crédito apresentadas pelo Banco Master não existiam. A investigação interna levou o Banco Central a comunicar o caso ao Ministério Público Federal, que repassou as informações à Polícia Federal.
O diretor de Fiscalização relatou que as suspeitas sobre as operações já haviam chegado à área de supervisão comandada por Bellini Santana e acompanhada por Paulo Sérgio. Ainda assim, segundo o depoimento, os dois demonstravam resistência ao aprofundamento das medidas de fiscalização.
Questionado pela PF sobre essa postura, Aquino afirmou que, ao analisar os fatos posteriormente, passou a se perguntar por que ambos resistiram tanto ao avanço das investigações sobre as carteiras de crédito e por que defendiam que os problemas identificados poderiam ser resolvidos em uma eventual fusão entre o Banco Master e o BRB.
Um dos eixos da apuração envolve supostos pagamentos a servidores que atuavam na supervisão do Banco Master. Em depoimento à Polícia Federal, Aquino disse que, em janeiro de 2026, foi informado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre relatos recebidos sob condição de anonimato. Segundo esses relatos, Bellini Santana e Paulo Sérgio teriam recebido valores ligados a Daniel Vorcaro.
Após tomar conhecimento das suspeitas, Aquino afirmou ter ouvido os dois servidores. Segundo seu relato à PF, Bellini disse ter sido procurado em 2023 por uma pessoa ligada ao advogado Leonardo Palhares, que apresentou uma proposta relacionada a projetos sociais. Bellini declarou ter recebido duas parcelas de R$ 500 mil e, depois, pagamentos mensais por meio de uma empresa criada por ele.
Já Paulo Sérgio afirmou ter vendido uma propriedade rural em Guaxupé, em Minas Gerais, por R$ 4,5 milhões. Segundo ele, apenas posteriormente teria descoberto que o comprador tinha ligação familiar com Vorcaro. A Polícia Federal investiga se os pagamentos e negócios relatados pelos servidores tiveram relação com a atuação deles na supervisão do Banco Master.
Aquino também afirmou que considerava natural a relação institucional entre supervisores do Banco Central e dirigentes de bancos fiscalizados. O diretor, porém, destacou que não é comum que fiscais antecipem questionamentos de fiscalização ou orientem previamente instituições supervisionadas sobre como agir diante da autoridade reguladora.
As investigações apontam que os dois servidores mantinham interlocução frequente com Vorcaro e participaram de conversas sobre temas sensíveis envolvendo o banco. Uma das mensagens analisadas pela PF foi enviada por Paulo Sérgio ao ex-banqueiro em abril de 2025. No texto, o servidor escreveu: “o Ailton achou muito boa, ou seja, 5 bi pode evitar estrago de 58 bi”.
Segundo Aquino, a mensagem tratava de uma possível linha de liquidez do Fundo Garantidor de Créditos para tentar evitar impactos maiores em caso de liquidação do Banco Master. O diretor também relatou que Bellini e Paulo Sérgio insistiram para que ele recebesse Vorcaro em novembro de 2025, quando o então banqueiro apresentou uma proposta de aporte de investidores árabes para tentar impedir a liquidação da instituição.
Outro ponto investigado é a suspeita de vazamento de informações internas. De acordo com Aquino, havia preocupação na cúpula do Banco Central com a possibilidade de decisões, análises e discussões ainda em andamento chegarem ao conhecimento de investigados e até da imprensa antes de sua formalização.
Por esse motivo, afirmou o diretor, a decisão sobre a liquidação do Banco Master foi mantida em um círculo extremamente restrito dentro da autoridade monetária. Aquino disse não ter elementos para afirmar que Vorcaro soubesse antecipadamente da liquidação, mas relatou que a insistência do banqueiro em apresentar uma solução de última hora gerou desconfiança entre integrantes do Banco Central.
A Polícia Federal quer esclarecer se servidores responsáveis pela supervisão do Banco Master receberam vantagens financeiras do ex-banqueiro e, em contrapartida, atuaram para favorecer a instituição em processos de fiscalização, negociações sobre apoio financeiro e discussões regulatórias.
Foto reproduzida da Internet
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