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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
‘Todos eles são bons pizzaiolos‘
* Presidente Lula, sobre senadores de oposição, quando questionado se a CPI da Petrobras, controlada por governistas, poderia acabar em pizza.
Ora,ora,ora. É verdade que Lula vez por outra fala algumas besteiras de improviso, mas dessa vez o presidente não falou nada de espantoso. A sociedade brasileira está careca de saber que quando se fala em CPI [Comissão Parlamentar de Inquérito] no Congresso Nacional, assim como nas demais casas legislativas do país, o que vem logo à cabeça é uma “grande pizza”. E não me venham com essa história de que ele [o presidente Lula] não conduz seu mandado com a liturgia que o cargo exige, como disse o raivoso senador tucano Álavaro Dias (PR), chegando ao cúmulo de declarar que crer que cabe aos partidos da oposição provocar a Justiça Eleitoral, movendo uma ação contra o comportamento afrontoso do presidente.
Senhores senadores [de oposição]. Relembrem a história recente do país. Os governos FHC por exemplo. Qual foi a CPI que não acabou em pizza? Vamos deixar de demagogia e achar que o presidente Lula não conduz o seu mandato com a liturgia que o cargo exige. Manda quem pode obedece quem tem juizo. Todo governo, e aí isso é de praxe, preza pela maioria no Congresso para ter a tal “governabilidade”, que no frigir dos ovos significa preservar o seu mandato. Foi por não pensar dessa forma que a única CPI que deu resultado na Casa foi a CPI do PC [Paulo César Farias, amigo e tesoureiro da campanha de Collor].
A maior crise enfrentada pelo governo Collor tomou forma em junho de 1991 graças a uma disputa envolvendo seu irmão Pedro Collor e o empresário Paulo César Farias a partir da aquisição, por este último, do jornal Tribuna de Alagoas visando montar uma rede de comunicação forte o bastante para eclipsar a Gazeta de Alagoas e as Organizações Arnon de Mello. Contornada em um primeiro instante, a crise tomou vulto ao longo do ano seguinte quando a revista Veja trouxe uma matéria na qual o caçula do clã alagoano acusava o empresário PC Farias de enriquecer às custas de sua amizade com o presidente, algo que teve desdobramentos nos meses vindouros: em 10 de maio Pedro Collor apresentou à revista Veja um calhamaço de documentos que apontavam o ex-tesoureiro de seu irmão como o proprietário de empresas no exterior e como as denúncias atingiam um patamar cada vez mais elevado a família interveio e desse modo o irmão denunciante foi removido do comando das empresas da família em 19 de maio por decisão de sua mãe, dona Leda Collor.
Oficialmente afastado por conta de “perturbações psicológicas”, Pedro Collor não tardou a contra-atacar: primeiro apresentou um laudo que atestava sua sanidade mental e a seguir concedeu nova entrevista a Veja em 23 de maio na qual acusou PC Farias de operar uma extensa rede de corrupção e tráfico de influência na qualidade de “testa-de-ferro” do presidente, o qual não reprimia tais condutas por ser um beneficiário direto daquilo que ficou conhecido como “esquema PC”. Quarenta e oito horas depois a Polícia Federal abriu um inquérito destinado a apurar as denúncias de Pedro Collor e no dia seguinte o Congresso Nacional instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar a veracidade das acusações. Presidida pelo deputado Benito Gama do PFL da Bahia e relatada pelo senador Amir Lando do PMDB de Rondônia, a CPI foi recebida com certo desdém pelo governo, a ponto de Jorge Bornhausen, então chefe da Casa Civil, ter declarado que a comissão “não levaria a lugar nenhum”. O resultado todos sabem!
E por que deu resultado essa CPI? Porque Collor, assim como fez Jânio Quadros quando renúnciou ao cargo de presidente da República, achava que tinha o respaldo popular e não precisava dos pizzaiolos.
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