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Baú de um Repórter

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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial, Geral

Por fim, o diploma

Por Daniel Dantas

Sobre minha posição quanto ao diploma de jornalismo, vou resumir meus argumentos em três pontos principais.

Um jornalista sujeito crítico se forma em três níveis. Dois são absolutamente independentes de uma formação superior em jornalismo. O primeiro diz respeito à formação humanística, a leituras, a um “talento” para escrita. O segundo diz respeito a aprender uma série de regras de redação que qualquer um aprende nas redações e que não precisa gastar cinco anos de sua vida para aprender.
Aí reside o problema e a ponte para o próximo passo. Eu sai da graduação com a impressão que tinha gastado cinco anos para aprender uma única coisa que valia: o que é um lead. Isso não é fruto de um curso superior em jornalismo. É resultado de um mal curso.
O terceiro elemento a gente não aprende nas redações, não aprende em conversas entre pares, não entende em nível de senso comum. Jornalismo, assim como comunicação, é ciência. Tem pesquisa, produção, e isso é fundamentalmente necessário para que sejamos sujeitos – e não objetos – na nossa atuação. Eu nunca ouvi, fora da academia, discussões pertinentes sobre questões de linguagem, discurso, ideologia, efeitos midiáticos de longo prazo, teorias do jornalismo, rotinas de produção da notícia, gatekeeper, agendamento… essas coisas, penso como profissional e pesquisador, são fundamentais à formação.
Claro que se Gilmar Mendes quiser ouvir Alberto Dines ou Marques de Mello para discutir jornalismo e comunicação como ciência, não poderá mudar seu voto. Eles ficaram no tempo. Mas a coisa que mais me deixou revoltado foi o fato de o argumento vencedor na votação ter sido afirmar que jornalismo não exige uma capacitação científica específica. Ora, isso é uma tentativa de desconsiderar todos os que pesquisam jornalismo e comunicação no Brasil e no mundo. Entre eles, eu e um mundo de gente que estava este fim de semana em Salvador conversando sobre Discurso e Mídia. Ou tantos, como eu, que costumam apresentar os seus resultados de pesquisa em congressos como o Intercom.

Essa formação científica – existente e fundamental – é instrumento para a manutenção e ampliação democrática. Aliada à auto-regulamentação (Conselho Federal de Jornalistas) e ao fato inconteste de que não existe mais monopólio sobre a informação por parte das empresas jornalísticas e dos jornalistas. São passos na rota por uma maior democracia da informação.

Ao longo da história, um monte de gente que era jornalista sem diploma, inclusive meu pai. Mas o caminho natural das profissões enquanto se constituem num campo é esse. Foi assim com todas elas até que o conhecimento científico se especializa de forma irremediável (vide medicina, direito, arquitetura, engenharia…)

P.S.: Ainda, para somar-se ao processo, o projeto de regulamentação do senador do mensalão, Eduardo Azeredo, ex-presidente dos tucanos, já está sendo chamado de AI-5 Digital, de tão ameaçador.

Obs do blog: o texto acima foi tirado do blog De olho no discurso do jornalista Daniel Dantas

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