Está no Blog da Andréia Sadi
Ouvido pela Polícia Federal [1] (PF) na operação Tempus Veritatis, o ex-comandante do Exército general da reserva Marco Antônio Freire Gomes não foi alvo da operação que investiga os participantes de uma tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro [2] (PL) no poder. O militar, porém, participou de fatos investigados e recebeu mensagens de Mauro Cid, o braço direito de Bolsonaro, com informações sobre o andamento da tentativa de golpe.
Além disso, Freire Gomes foi alvo de ataques de apoiadores do ex-presidente envolvidos no caso por supostamente não aderir à trama golpista, aponta PF. Por esse motivo, na sexta-feira (1º), ele foi ouvido na condição de testemunha e, por isso, foi obrigado a falar a verdade [3]. O teor do depoimento está em sigilo.
Após as revelações de Freire Gomes, a Polícia Federal marcou para a próxima segunda-feira (11) um novo depoimento para que Mauro Cid esclareça novos detalhes [4].
Quem é Freire Gomes?
Nomeado por Bolsonaro como comandante do Exército em março de 2022 [5], ele assumiu o cargo após o general Paulo Sérgio Nogueira deixar o posto para se tornar ministro da Defesa. Nogueira é alvo da investigação.
Freire Gomes foi o terceiro comandante do Exército no governo Bolsonaro. Antes de Paulo Sérgio Nogueira, quem estava no cargo era o general Edson Pujol, que foi trocado por Bolsonaro meses após dizer que “militares não querem fazer parte da política nem querem política nos quartéis [6]“.
Como ele aparece nas investigações sobre a tentativa de golpe?
1 – 🔎 Segundo a PF, Freire Gomes participou de uma reunião no Palácio do Alvorada, residência oficial do então presidente Jair Bolsonaro, em 7 de dezembro de 2022. Nessa reunião, foi apresentada a Bolsonaro uma minuta de decreto que previa a prisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, e a realização de novas eleições;
2 – 🔎 Além disso, a PF identificou mensagens de Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, para Freire Gomes. Nelas, Cid fala sobre os manifestantes pró-Bolsonaro e o que chamava de “pressão” sobre o ex-presidente para que ele tomasse “uma medida mais radical”.
“Bom dia general! Sei que o momento não é apropriado, mas só para atualizar o senhor… O presidente vem sendo pressionado, aí, por vários atores a tomar uma medida, mais, mais radical, né? Mas ele ainda tá naquela linha do que foi discutido, que foi conversado com os Comandantes, né, com o ministro da Defesa. Ele entende as consequências do que pode acontecer. Hoje ele mexeu naquele decreto, né. Ele reduziu bastante. Fez algo mais direto e curto, e limitado, né”, disse Mauro Cid em mensagem a Gomes no dia 9 de dezembro de 2022.
3 – 🔎 Por fim, a PF encontrou mensagens que, no entender da corporação, indicam que o então comandante do Exército não apoiou a tentativa de golpe e, por isso, passou a ser atacado pela ala bolsonarista. Um dos integrantes, o candidato derrotado à vice-presidência general Braga Netto, em mensagem chamou Freire Gomes de “cagão” [7].
Foto reproduzida da Internet
Em tempo: confira editorial do blogdobarbosa sobre o assunto e meu comentário no BB News TV e no Canal YouTube clicando aqui [8] e aqui [9]