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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está na Revista Fórum
Passados 20 anos desde que divulgou “O Ronaldinho de Lula”, primeira “reportagem” em que acusou Fábio Luís Lula da Silva de atuar como “lobista”, no caso Gamecorp, a quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais, a revista Veja divulgou nesta quinta-feira (20) uma capa repetindo a mesma acusação contra o filho do presidente. Fontes ouvidas pela Fórum na Polícia Federal (PF) suspeitam que o material, ainda em fase de investigação, foi vazado por integrantes da ala lavajatista da cúpula do Ministério Público Federal (MPF).
Após o fracasso da investida em 2006, o propalado caso Gamecorp teve o inquérito criminal arquivado pela Justiça Federal de São Paulo por falta de provas concretas de recebimento ou promessa de vantagem para influenciar funcionário público. A mesma tática vem sendo reproduzida desde então, com decisões semelhantes da Justiça, conforme revelou a Fórum.
A estratégia se repete em 2026. E volta a usar a dobradinha com operadores da Lava Jato, que abriram as portas do Palácio do Planalto para Jair Bolsonaro em 2018, em uma decisão do então juiz Sergio Moro, que levantou sigiloso de uma delação sem provas do ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, às vésperas do primeiro turno das eleições com Fernando Haddad no lugar de Lula, preso por decisão também do ex-titular da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Segundo apuração feita pela Fórum junto a fontes da Polícia Federal (PF), o esquema segue agora com Flávio Bolsonaro. A tática é a mesma: a construção de dutos para vazamento seletivo de informações e inquéritos para a mídia liberal que possam alimentar o inconsciente coletivo criado em torno da figura do filho de Lula.
Agentes da Polícia Federal ouvidos pela Fórum suspeitam que procuradores com ligação íntima com a Lava Jato, Sergio Moro e Deltan Dallagnol, que aparelham a Procuradoria-Geral da República desde a ascensão de Paulo Gonet estariam por trás dos vazamentos.
O destino seriam jornalistas de confiança da mídia liberal, já conhecidos dos tempos de Lava Jato, como Ricardo Chapola, repórter veterano que obteve o vazamento da íntegra do inquérito parcial contra Lulinha que ilustrou a capa da Veja, onde chegou após atuação de destaque na equipe investigativa do Estadão na Lava Jato, em 2015.
Os inquéritos sob encomenda
Os pedidos de abertura de três inquéritos contra Fábio Luís por setores lavajatistas da PF, ocorreram após a candidatura de Flávio Bolsonaro naufragar com as revelações da “irmandade” com Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master. O “01” de Bolsonaro apareceu em mensagem cobrando o banqueiro de parte dos 24 milhões de dólares prometidos ao clã, em fundo de investimento operado por advogado ligada a Eduardo Bolsonaro nos EUA, supostamente para o filme Dark Horse, sobre o pai.
Os fatos motivaram a abertura de um inquérito, que anda a passos lentos sob a relatoria do “terrivelmente evangélico” André Mendonça, que não ouviu nenhum dos filhos e aliados de Bolsonaro envolvidos na produção.
Na reportagem desta quinta-feira, a Veja diz revelar “os detalhes do inquérito sigiloso da PF que investiga tráfico de influência no governo”, que foi autorizado pelo mesmo Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), e aberto no dia 30 de julho. Detalhe: os três pedidos de inquérito pela PF têm origem no processo das fraudes do INSS, que não indiciou Fábio Luís.
Os investigadores teriam produzido uma investigação em 22 dias, sob encomenda para uso eleitoral, segundo apurou a Fórum. O primeiro inquérito, sob relatoria de Mendonça, trata de um suposto tráfico de influência para venda de medicamento à base de cannabidiol ao Ministério da Saúde, que sequer tem política de compra ou distribuição do remédio pela rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
O texto, mais uma vez, traz um amontoado de trocas de mensagens que indicam um suposto lobby – atividade que não é crime no Brasil – comandado pela RL Consultoria e Intermediações Ltda, empresa criada em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, pela empresária Roberta Luchsinger, tratada como “lobista do Lulinha” pela mídia liberal. Provas de que houve algum desvio de dinheiro, favorecimento ou tráfico de influência: nenhuma – o que leva a crer que a investigação terá o mesmo destino, após as eleições, das outras abertas contra Fábio Luís.
Os dutos da Lava Jato
Segundo a Fórum apurou, os vazamentos seletivos, que alimentam além da Veja, as manchetes diárias do jornal O Globo – que abriu uma investigação paralela contra Lula -, partiram de procuradores oriundos da Lava Jato. Alguns deles ocupam cargos de destaque no gabinete que dá sustentação ao Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet.
A própria mídia liberal noticiou, em dezembro de 2023, que Gonet escalou “equipe de procuradores com atuação no mensalão e na Lava Jato”, conforme comprova levantamento realizado pela Fórum nesta sexta-feira (21).
Indicado por Lula, o PGR aparelhou seu gabinete com nomes com ligação fisiológica com a Lava Jato, que perdeu credibilidade com Sergio Moro e Deltan Dallagnol assumindo a política partidária, em 2018. Levados à Brasília por influência do ex “super” ministro de Bolsonaro, os procuradores da República de Curitiba imergiram após Moro deixar o governo acusando Jair de interferência na PF, então comandada pelo braço-direito Maurício Valeixo, nas investigações de “rachadinha” de Flávio Bolsonaro.
Alçado por Lula com a intenção de pacificar o MPF e por seu perfil discreto, Paulo Gonet, no entanto, colocou em seu gabinete os “filhos de Januário”, como ficou conhecido o grupo de Telegram da Lava Jato em que os procuradores faziam conluios – segundo o STF – com o então juiz Sergio Moro para alimentar os dutos que apareciam diariamente no Jornal Nacional atacando Lula.
Conservador, o próprio Gonet representou, em 2016, a PGR nas acusações da Lava Jato contra a deputada e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) e seu ex-companheiro Paulo Bernardo na denúncia sobre a farsa do pedido de propina que acabou rejeitada pela própria procuradoria dois anos depois. Gleisi e Paulo Bernardo foram absolvidos, mas o caso ainda nutre de ódio a horda extremistas anti-Lula até os dias de hoje.
O time lavajatista de Gonet
Levantamento em dados públicos realizado pela Fórum revela que ao menos cinco procuradores lotados no gabinete de Gonet, além do próprio subprocurador, Hindenburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho, possuem elos com a República de Curitiba montada por Moro e Dallagnol.
Nos diálogos da Vaza Jato obtidos pela Operação Spoofing, da PF, o “02” da PGR, então corregedor-geral do MPF, critica um dos espetáculos midiáticos de Deltan Dallagnol, que divulgara palestra em que prometia fazer revelações inéditas da força-tarefa cobrando dos participantes.
“Só quero lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário. Como Corregedor, na verdade, não me competia fazer o q fiz”, diz Hindemburgo que, apesar da reprimenda, não abriu investigação para punir Dallagnol. O diálogo foi revelado em reportagem da Folha em parceria com o The Intercept Brasil em 8 de agosto de 2019.
Citado por Chateaubriand, “Januário” é Januário Paludo, um dos nomes mais proeminentes da força-tarefa que dá nome aos grupos de Telegram implodidos pela Operação Spoofing e que foi promovido a subprocurador-geral da República no último dia 7 de abril, aumentando o quórum lavajatista na cúpula da PGR.
A ala lavajatista no gabinete de Paulo Gonet
José Adônis Callou de Araújo Sá
Atual titular da assessoria jurídica da PGR junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o procurador José Adônis Callou de Araújo Sá atuou na força-tarefa desde 2015 e, em outubro de 2019, foi alçado pelo então PGR Augusto Aras como coordenador do Grupo de Trabalho da Lava Jato na PGR. Ele deixou o cargo três meses depois, sendo substituído por Lindôra Araújo.
Em dezembro do mesmo ano, Adônis Callou assinou um parece ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) negando que houve parcialidade de Sérgio Moro na atuação da Lava Jato contra Lula, em defesa explícita ao então ministro de Bolsonaro – leia a íntegra do documento.

Em 23 de março de 2021, a Segunda Turma do STF reconheceu a parcialidade de Sergio Moro na condução do processo do triplex de Lula. Três meses depois, em 23 de junho, o Plenário da Corte confirmou a decisão por 7 votos a 4, contrariando o parecer do procurador da Lava Jato.
Ainda em 2021, Adônis Callou emitiu outro parecer ao STJ em que ataca as mensagens da Vaza Jato, que expôs o conluio da República de Curitiba, dizendo que “não há laudo pericial atestando a integridade e a cadeia de custódia do material que serviu de base para a instauração e desenvolvimento do inquérito” e recomendando que a troca de conversas dos colegas nos grupos Amigos de Januário “não pode ser considerado prova”.
Um ano após Moro deixar o governo Bolsonaro, que buscava enterrar a Lava Jato, José Adônis, imergiu no MPF, e foi resgatado para ocupar um posto chave no gabinete de Gonet.
Hayssa Kyrie Medeiros Jardim e Luiza Cristina Fonseca Frischeisen
Atuando como auxiliar da assessoria jurídica criminal junto ao STF, Hayssa Kyrie Medeiros Jardim integrou um dos grupos Filhos de Januário e aparece em troca de mensagens de dezembro de 2018. Nas conversas, Deltan Dallagnol sugere que Sergio Moro – que já havia aceitado o convite para integrar o Ministério de Bolsonaro -, blindasse Flávio Bolsonaro acusado, à época, de comandar o esquema de rachadinhas empregando Fabrício Queiroz e parentes de milicianos em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Segundo reportagem do The Intercept Brasil em 21 de julho de 2019, Dallagnol disse que Flávio “certamente” fazia parte do esquema de corrupção, mas temia que Moro desagradasse Bolsonaro caso levasse o caso – que foi arquivado após manobra no STJ – adiante.
“Moro deve aguardar a apuração e ver quem será implicado. Filho certamente. O problema é: o pai vai deixar? Ou pior, e se o pai estiver implicado, o que pode indicar o rolo dos empréstimos?”, escreveu Deltan. “Seja como for, presidente não vai afastar o filho. E se isso tudo acontecer antes de aparecer vaga no Supremo?”, indaga em seguida, expondo a negociata de Moro com Bolsonaro para ser indicado para vaga na suprema corte.

Segundo as conversas, Hayssa Kyrie diz que o esquema de Flávio era “equivalente ao descoberto na Dama de espadas”, divulgando link de reportagem sobre um esquema de desvios milionários com funcionários-fantasmas na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte.
Atual coordenadora da assessoria jurídica criminal da PGR no STJ, a procuradora Luiza Cristina Fonseca Frischeisen entra na conversa e comenta sobre outro caso semelhante no “Mato Grosso com Silval Barbosa”.
“Pessoas da mesma família empregá-la , depósito de parte dos salários de servidores em dias de pagamento, outros depósitos , resta saber quem recebia os saques . Agora vem a quebra do sigilo. Vamos aguardar a investigação geral do MPRJ quanto aos assessores”, diz comparando a investigação contra Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro, estopim da crise que resultou na saída de Sergio Moro do governo Bolsonaro dois anos depois.

Em 2021, o então presidente do STJ, Humberto Martins, abriu investigação relacionada a supostas irregularidades atribuídas a procuradores da operação. Entre os nomes inicialmente apontados como alvos estavam Luiza Frischeisen, Eduardo Pelella, Januário Paludo, Orlando Martello Júnior, Deltan Dallagnol e Diogo Castor.
Anamara Osório Silva
Secretária de Cooperação internacional da PGR, Anamara Osório Silva integrou a força-tarefa da operação em São Paulo juntamente com Thaméa Danelon, que coordenou os trabalhos da força tarefa no Estado e foi punida em 2024 pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) por atuação política partidária.
“A processada fez comentários dúbios acerca da credibilidade do sistema de Justiça do Brasil, afirmou que ministros da Suprema Corte decidem contra a Constituição, fez comentários sobre delação premiada que evidenciaria ligação da facção criminosa PCC e o PT, além de proferir contundentes críticas ao STF e seus ministros”, afirmou o relator do caso, o subprocurador Mário Bonsaglia, acompanhado pela maioria dos colegas.
Em mensagens divulgadas pelo The Intercept Brasil em 3 de setembro de 2019, Anamara celebra efusivamente uma possível candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado. “Delta!!!! Você senador para já!! Vamos falar disso?! O que vc precisa? Hehe”, diz a procuradora.
Em conversa com Dallagnol, Thaméa relata que Anamara contou a novidade para ela. ” Oi amigo. Vc vai sair para senador ano q vem? Anamara acabou de me falar!”. O chefe responde timidamente: “Não que eu saiba rs”, e emenda “tem muita gente incentivando, mas por enquanto acho que não é o caso”.

Fernando Antônio de Alencar Alves de Oliveira
Suplente de Ubiratan Cazetta no Ofício do MPF junto ao Conselho de Administração de Defesa Econômica, o CADE, Fernando Alencar integrou em 2017 o Grupo de Trabalho criado na Procuradoria-Geral da República para acompanhar os desdobramentos da Lava Jato no STF.
O procurador fazia parte da estrutura da PGR que acompanhava a operação conduzida em Curitiba por Deltan Dallagnol. Entre as atribuições do grupo a qual fazia parte estavam a realização de oitivas, participação em atos de produção de provas e audiências relacionadas aos processos da Lava Jato no STF.
Em agosto de 2017, uma portaria da Procuradoria da República no Tocantins precisou designar outro procurador para substituí-lo porque Fernando estava participando da força-tarefa Lava Jato. Ele não é citado nas mensagens da Operação Spoofing já tornadas públicas.LEIA TAMBÉM
Foto reproduzida da Internet
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