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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Economia, Política

Queda da arrecadação é uma “cortina de fumaça, um mito”, diz Lina

Em entrevista a Época, a própria Lina Vieira afirma que a queda da arredacação é uma “cortina de fumaça, um mito”. Ela também se refere a choques ocorridos dentro do governo. Entrou em rota de colisão com a ministra-chefe da Casa Civil e virtual candidata à Presidência, Dilma Rousseff, por causa de divergências em torno de exonerações fiscais do programa Minha Casa, Minha Vida, que pretende construir 1 milhão de casas populares.

A queda da secretária foi acompanhada da versão de que ela teve de pagar um preço pela decisão de investigar a Petrobras, depois que a empresa usou um mecanismo contábil para se livrar de um pagamento de R$ 4 bilhões em impostos. Revelou-se que a Receita tomou essa iniciativa sem consultar o chefe de Lina Vieira, Guido Mantega, que é membro do Conselho da Petrobras – razão para elogiar a antiga titular do Leão, não para puni-la. Colocada diante da possibilidade de comparecer à CPI da Petrobras, com a qual a oposição pretende fustigar o governo, ela diz: “Se for convocada, lá estarei”. Mas esclarece que não poderá se pronunciar sobre questões específicas da empresa – apenas sobre a legislação genérica do setor.

No ano passado, a mudança na Receita foi cercada de surpresa e suspense. Lina Vieira substituiu Jorge Rachid, secretário de origem tucana que fez carreira ao lado de Antônio Palocci, ministro da Fazenda no primeiro mandato do governo Lula. Rachid ganhou fama de técnico diligente, batedor de recordes de arrecadação, e sua saída nunca foi acompanhada de uma boa explicação técnica. Elogiado no Planalto, em breve vai assumir um posto-prêmio em Washington, como adido tributário.

“O que aconteceu é que ela desmantelou a Receita e desmobilizou os auditores. Por essa razão, a receita caiu”, diz um antigo dirigente do órgão, insuspeito de simpatias pelo atual governo. De acordo com essa versão, o apelo de Lina Vieira às lideranças de atuação sindical para ocupar cargos de relevância na Receita se deveria a seu isolamento diante dos quadros mais experimentados da instituição.

Se há vários anos a Receita transformou-se num ambiente de luta interna permanente, depois da demissão de Lina Vieira vive uma fase de assembleia estudantil. Os atuais superintendentes, a maioria nomeada por ela, ameaçaram pedir demissão coletiva caso Mantega indique alguém ligado ao grupo de Rachid para ocupar o comando da Receita. Embora ameaças desse tipo façam parte da tradição da Receita, Mantega decidiu evitar riscos e nomeou, como interino, o braço direito da própria Lina Vieira, Otacílio Cartaxo.

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