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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Quem é André Ventura, o aliado de Bolsonaro que pode consolidar a direita radical em Portugal

Está no g1

Depois de anos governado por uma coalizão de centro-esquerda, Portugal pode dar uma guinada mais à direita após as eleições parlamentares deste domingo (10).

As pesquisas de intenção de votos mostram a liderança da coligação de centro-direita na corrida eleitoral. As sondagens também apontam que o partido da direita radical Chega, personificado na figura do candidato André Ventura, está perto de consolidar sua força política no Parlamento português.

No Brasil, um dos seus principais cabos eleitorais é o ex-presidente Jair Bolsonaro— e qualquer semelhança entre a retórica dele e de Ventura não é mera coincidência.

Em meio à campanha para as eleições legislativas que vão definir o novo governo e primeiro-ministro de Portugal, Ventura sacudiu o eleitorado com o fantasma da fraude eleitoral.

A mesma tática de tentar deslegitimar o sistema eleitoral foi usada por Bolsonaro no Brasil, e outros políticos, como o americano Donald Trump, ao redor do mundo.

Em todos esses casos, como agora, as acusações foram feitas sem fornecer evidências. Bolsonaro, inclusive, foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em decorrência de um episódio em que divulgou notícias falsas e fez ataques infundados ao sistema eletrônico de votação.

“Está em curso uma tentativa de desvirtuar as eleições. Temos que estar de olho aberto, ninguém pode nos enganar nestas eleições”, declarou Ventura.

Ventura afirmou que havia pessoas do Bloco de Esquerda dizendo nas redes sociais que iam “anular os votos do Chega e da Aliança Democrática (AD) [coligação de direita composta pelo Partido Social Democrata (PSD) e o Centro Democrático Social (CDS)]”.

Ele disse também ter recebido “relatos de emigrantes”, portugueses que vivem no estrangeiro e votam nas eleições de Portugal, que se queixavam de que os votos por correio “não estavam chegando”.

“Esses emigrantes estão fartos de socialismo e social-democracia”, destacou, insinuando que as supostas manipulações tinham como objetivo prejudicar o Chega.

Em declaração à Agência Lusa, o porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, Fernando Anastácio, descartou qualquer possibilidade de fraude, explicando que não recebeu “nenhuma queixa sobre qualquer tentativa de desvirtuar o resultado das eleições”.

Mas, mesmo sem fundamento, as palavras de Ventura ecoaram nas redes sociais ligadas ao Chega, para tentar semear dúvidas sobre o processo eleitoral e o sistema democrático português.

“Este tipo de retórica teve menor impacto em Portugal do que no Brasil, por exemplo, mas a tentativa de deslegitimar a integridade eleitoral é comum na dinâmica de comunicação de Bolsonaro e Ventura”, explica António Costa Pinto, professor do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

Este não é, no entanto, o único ponto em comum entre os dois líderes.

“A dinâmica de confronto constante, o desprestígio, [o uso de] fake news, e a introdução de uma linguagem política muito mais violenta são muito fortes na construção da identidade de Bolsonaro e Ventura”, avalia Costa Pinto.

“Para eles, [os adversários] são todos vigaristas, aldrabões (trapaceiros), ladrões… tudo numa retórica antiestablishment”, segue o professor.

Em 2023, a Procuradoria Geral da República de Portugal abriu uma investigação contra o líder do Chega sob acusação de difundir notícias falsas nas suas redes sociais. Ventura sempre negou “cometer qualquer ato ilícito” e disse ainda que “nenhum órgão de comunicação vai dizer ao Chega o que é ou não mentira”.

No mesmo ano, o site de checagem de fatos Polígrafo identificou pelo menos dez informações falsas — atacando pessoas trans, a imigração ou adversários políticos — publicadas no perfil do líder de extrema direita.

A BBC News Brasil também questionou a equipe do líder da legenda sobre o tema, mas não havia obtido resposta até a publicação desta reportagem.

Foto reproduzida da Internet

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