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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
A empresária Roberta Luchsinger confirmou que solicitou ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, apoio para uma proposta referente ao fornecimento de canabidiol ao governo federal, mas garantiu que não realizou pagamentos em troca desse auxílio. Alvo de três inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF) ao lado de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, a empresária é investigada por suspeita de tráfico de influência para favorecer empresas em órgãos da administração pública federal, informa o G1. Até o momento, contudo, as apurações não identificaram a assinatura de nenhum contrato com o poder público.
A investigação da Polícia Federal também identificou que Roberta quitou contas pessoais de Marcola e apura se as transferências foram efetuadas como contrapartida por favores prestados. O ex-chefe de gabinete sustentou que os repasses correspondem a um empréstimo pessoal no valor de R$ 249 mil, o qual já foi integralmente quitado.
Em sua primeira manifestação direta desde que o caso veio a público, enviada por mensagem de texto, a empresária admitiu o contato sobre o tema institucional. “Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira”, declarou Roberta, que até então vinha se posicionando apenas por meio de notas oficiais assinadas por seus advogados.
Ao comentar os repasses efetuados a Marcola, a empresária negou qualquer relação de troca financeira por influência política. “Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra. Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo”, justificou.
Conforme os registros obtidos pela PF, Roberta encaminhou a Marcola via aplicativo de mensagens, em maio de 2024, a minuta de um Termo de Referência (TR) contendo diretrizes para o Ministério da Saúde adquirir frascos de canabidiol. A proposta previa a dispensa de licitação e direcionava as aquisições para a empresa World Cannabis, pertencente ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O documento havia sido elaborado pela equipe de consultoria do próprio empresário, mas nenhum contrato foi assinado com a pasta.
Roberta argumenta que o setor de canabidiol no país enfrenta um gargalo regulatório que força pacientes a recorrerem a produtos importados sem o devido controle de qualidade pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a versão da empresária, a minuta entregue ao ex-chefe de gabinete continha sugestões para contornar a burocracia do sistema.
“A principal mudança descrita no documento é administrativa e operacional: sair de sucessivas aquisições vinculadas às demandas individuais para uma estrutura de planejamento e aquisição centralizada [pelo Ministério da Saúde] de uma demanda judicial já existente e recorrente”, afirmou a empresária, acrescentando que, “diante de tema tão importante, e por não haver nenhuma relação de compra e venda — até porque são demandas judicializadas —, eu gostaria sim de ter tido apoio, olhos postos sobre o tema”.
Atuando na prospecção de negócios para a empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, Roberta recebeu R$ 1,5 milhão para atuar perante o Ministério da Saúde. A empresária destacou a qualificação técnica dos consultores contratados pelo lobista. “Antônio [Careca] contratou uma equipe muito competente [na World Cannabis], inclusive pessoas que foram funcionárias da Anvisa e que, após saírem, prestam serviços de consultoria altamente especializada”, disse. Ela sustentou ainda que desconhecia o suposto envolvimento de Careca no esquema de desvio de recursos de aposentadorias.
Desde a eclosão das denúncias, em dezembro de 2025, Roberta e sua defesa refutam as acusações de que repassou valores a Fábio Luís Lula da Silva para que ele abrisse portas no Ministério da Saúde. “Antes de haver busca e apreensão na minha casa, eu já havia manifestado que eu não tinha ideia de nada de INSS e que minha relação com Antônio [Careca] era canabidiol. Eu fui a primeira a falar. Porque não vejo crime nenhum nisso”, declarou.
Questionada sobre mensagens interceptadas pela PF nas quais refere-se a uma sociedade com Fábio Luís, Roberta afirmou que o vínculo entre eles é exclusivamente de amizade de longa data. “Eu e Fábio somos amigos. Muito amigos. Renata, esposa dele, [é] minha melhor amiga. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista. Fábio é meu amigo antes de o pai ser presidente”, esclareceu. Sobre supostos pagamentos de vantagens ou viagens a Fábio Luís, ela resumiu que “tudo [está] muito fora de contexto”.
Em entrevista concedida à TV Globo, o presidente Lula afirmou que o filho deve responder às investigações como qualquer cidadão caso seja comprovada alguma irregularidade. Ao ser questionado sobre os diálogos atribuídos à empresária e ao seu filho, o presidente declarou: “o que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone?”.
Segundo integrantes do PT, a aproximação de Roberta com a legenda e com Fábio Luís ocorreu a partir de 2017, durante o andamento dos processos da Operação Lava Jato contra Lula, e se intensificou durante a prisão injusta do presidente em Curitiba, em 2018. Naquele ano, a empresária disputou uma vaga para deputada estadual em São Paulo pelo PT, mas não obteve êxito nas urnas.
Roberta garantiu que jamais pediu a Fábio Luís que interferisse em favor de suas pautas junto ao governo federal. “Eu poderia ter falado: ‘Fábio, mostra aí para seu pai essa questão do canabidiol, como o Brasil está atrasado’. Ele é meu amigo, eu poderia ter pedido. Nunca pedi. Porque, como amiga, sei que, primeiro, ele não faria, e segundo, é algo muito técnico”, assinalou.
Visando reverter o impacto das divulgações, a defesa da empresária, conduzida pelo advogado Roberto Podval, peticionou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o levantamento do sigilo das investigações. O objetivo é disponibilizar a íntegra das conversas interceptadas para demonstrar que as mensagens divulgadas estão “distorcidas e picotadas”.
Ao todo, Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no STF sob acusações de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As investigações estão divididas da seguinte forma:
Foto reproduzida das redes sociais
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