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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Portal Vermelho
A sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF), reúne uma combinação que chama atenção. É ali que está registrada a Bravo Grafeno, empresa de capacetes de propriedade do senador Flávio Bolsonaro (PL). No mesmo endereço aparecem ao menos 16 empresas relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos principais personagens da investigação sobre a fraude nos benefícios previdenciários.
Antunes é investigado por integrar uma estrutura empresarial que movimentava dinheiro de associações responsáveis por cobranças diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas. O esquema funcionou entre 2019 e 2024 e, segundo as investigações, atingiu mais de 4,3 milhões de beneficiários, com prejuízo estimado em R$ 2 bilhões aos cofres públicos. Preso preventivamente desde setembro de 2025, Antunes é um dos nomes centrais da Operação Sem Desconto.
O contador que está nos dois lados
O ponto que aproxima os negócios de Flávio da estrutura investigada não se resume ao cadastro imobiliário. A Bravo Grafeno utiliza os serviços da Voga Serviços Contábeis, de Alexandre Caetano dos Reis. O contador foi sócio de Antunes em uma offshore nas Ilhas Virgens Britânicas e aparece nas investigações da Polícia Federal como responsável pela contabilidade de empresas ligadas ao Careca do INSS.
Alexandre também presta serviços ao escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro. O e-mail da Voga consta em notas fiscais emitidas pela banca do senador, registro que comprova a prestação do serviço contábil.
A reportagem do ICL esteve no Connect Towers e constatou que a Voga ocupa quatro salas no 26º andar. Funcionários do prédio indicaram a sala 2601 como espaço ocupado pela empresa. O advogado Thalles Setúbal confirmou que a Voga atende a empresa de Flávio, mas afirmou que a sala 2601 funciona como coworking pertencente a outra empresa e negou que o espaço seja da contabilidade.
O vínculo também passa pelo escritório
Alexandre não é a única pessoa ligada à Voga que aparece na estrutura profissional de Flávio. Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do senador, é irmã do contador. Em 2022, ela contou à Agência Pública que chegou à banca por indicação de Willer Tomaz, amigo de Flávio e advogado também investigado na Operação Sem Desconto.
Tomaz, por sua vez, tem procuração para defender Alexandre na investigação sobre os desvios no INSS.
O que aparece, portanto, é uma sequência de relações que ultrapassa o simples compartilhamento de um endereço: a empresa de Flávio está cadastrada na mesma sala que negócios ligados a Antunes e utiliza os serviços de um contador que também atuou para empresas do investigado.
O que existe dentro da sala 2601
A dimensão dessa coincidência fica mais evidente quando se olha para os CNPJs registrados no local. Na sala 2601, aliás, os CNPJs se multiplicam. Além da Bravo Grafeno, o endereço abriga ao menos 16 empresas ligadas a Antunes. Uma delas é a Prospect Consultoria Empresarial, considerada uma das principais empresas do seu portifólio.
Segundo o relatório final da CPMI do INSS, a Prospect recebeu R$ 204,2 milhões de nove entidades investigadas. Entre os repasses estão R$ 115,9 milhões da Unaspub, R$ 27,1 milhões da Ambec e R$ 19,8 milhões da CBPA.
A rede reunia empresas de diferentes setores, como consultoria, construção, incorporação, comércio, locação de veículos e call center. Algumas foram encerradas depois do avanço das investigações. Segundo a Polícia Federal, empresas do grupo eram utilizadas para movimentar recursos provenientes dos descontos irregulares e fazer o dinheiro circular entre diferentes CNPJs.
Um negócio da família Bolsonaro
A Bravo Grafeno foi criada em junho de 2024, com capital social de R$ 100 mil. Flávio Bolsonaro é o proprietário da empresa, Carlos Bolsonaro integra o quadro societário e Jair Bolsonaro emprestou a imagem à marca, tornando-se garoto-propaganda do capacete de grafeno e participando do lançamento do produto, em São Paulo, em março de 2025.
Flávio já negou envolvimento no escândalo do INSS. Procurado pelo ICL para comentar as novas informações, não havia respondido até o fechamento da reportagem. A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes também não se manifestou.
O problema não é apenas uma sala no mesmo prédio. É uma empresa da família Bolsonaro registrada no mesmo endereço de uma rede ligada ao principal investigado pela fraude do INSS, atendida pela mesma estrutura contábil e cercada por relações empresariais que aparecem na investigação.
São fatos documentados. E são esses fatos que Flávio Bolsonaro terá de explicar.
Com informações do ICL Notícias
Foto reproduzida da Internet
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