O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Arquivos
Links Rápidos
Categorias
E-book
O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.
Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o campo democrático vencerá as próximas eleições no Brasil e declarou que o país não abrirá espaço para o fascismo. “Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas”, disse Lula em entrevista à revista alemã Der Spiegel, na qual também abordou o cenário internacional, criticou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, defendeu o multilateralismo e reafirmou a soberania brasileira diante das pressões geopolíticas.
Na entrevista publicada pela Der Spiegel, Lula tratou ainda do acordo entre Mercosul e União Europeia, da relação com a Alemanha, da guerra no Oriente Médio, da crise internacional provocada pela escalada militar liderada por grandes potências e da situação política na América Latina. Ao longo da conversa, o presidente apresentou o Brasil como uma democracia sólida e insistiu que o mundo vive um momento de desordem que exige mais diálogo, mais equilíbrio institucional e menos imposições unilaterais.
“Aqui não há lugar para fascistas”
Ao comentar o ambiente político brasileiro e a possibilidade de uma nova disputa presidencial, Lula demonstrou confiança na vitória das forças democráticas e fez a declaração mais forte da entrevista: “O Brasil continuará sendo um país democrático. Além disso, nós vamos ganhar esta eleição e fazer com que a nossa democracia fique ainda mais estável. Aqui não há lugar para fascistas; para pessoas que não acreditam na democracia”.
A fala sintetiza a visão do presidente sobre o momento político nacional, ainda marcado pelos efeitos da tentativa de ruptura institucional promovida por setores da extrema direita após sua eleição. Lula reforçou que o Brasil dispõe hoje de instituições mais preparadas para reagir a ataques contra a ordem democrática e ressaltou a responsabilização de envolvidos em ações golpistas.
“É a primeira vez na nossa história que um ex-presidente e quatro generais foram responsabilizados por seus atos”, afirmou, ao defender o funcionamento da Justiça como condição essencial para impedir recaídas autoritárias.
Lula critica Trump e diz que presidente dos EUA “não foi eleito imperador do mundo”
Um dos trechos centrais da entrevista foi a crítica direta de Lula a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Ao analisar a postura de Washington diante de outros países, o presidente brasileiro afirmou: “Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ameaçar outros países o tempo todo com guerra”.
Lula acrescentou que a ordem internacional vive um processo acelerado de deterioração. “Precisamos colocar este mundo em ordem; ele está se transformando em um único campo de batalha”, declarou. Em sua avaliação, o sistema global se tornou refém da lógica militar e do poder concentrado nas mãos de poucas nações, em prejuízo da paz e do desenvolvimento.
O presidente também criticou o volume de recursos despejados na indústria bélica. “No ano passado, foram gastos 2,7 trilhões de dólares com armas e militares. Esse dinheiro poderia ser melhor empregado no combate à fome ou ao analfabetismo na África ou na América Latina”, disse.
Soberania e respeito nas relações com os Estados Unidos
Ao recordar os atritos comerciais com os Estados Unidos, Lula afirmou que não existe fórmula mágica para lidar com Trump, mas insistiu que o respeito entre os países depende da capacidade de cada governo de se impor politicamente. “Ninguém respeita alguém que não se faça respeitar”, afirmou.
Segundo o presidente, ele próprio deixou claro a Trump que o Brasil não abrirá mão de seus interesses nacionais. “Eu disse a Trump: você pode dizer que tem os maiores navios, aviões e foguetes do mundo. Eu quero paz, meu país quer se desenvolver. Minha guerra com você é uma guerra de narrativas”, declarou.
Lula também contestou o argumento utilizado pelos Estados Unidos para justificar medidas tarifárias contra o Brasil. “Essas tarifas são um erro, porque os Estados Unidos têm há anos um superávit comercial com o Brasil. Então não vamos contar histórias falsas”, afirmou.
Ao mesmo tempo, deixou claro que o Brasil não aceitará ficar dependente de um único parceiro comercial. “Se Trump não quiser comprar nada de mim, eu procuro meus compradores em outro lugar. Em três anos e meio, abrimos 518 novos mercados para os produtos brasileiros. Eu não vou ficar sentado lamentando”, disse.
Aposta no multilateralismo e crítica ao atual sistema internacional
Lula usou a entrevista para defender o multilateralismo como única alternativa viável à escalada dos conflitos internacionais. Para ele, não é aceitável que uma potência use sua supremacia econômica, militar e tecnológica para determinar unilateralmente os rumos do planeta.
“A harmonia entre as nações só será alcançada com a aplicação consequente da democracia”, afirmou. Na mesma linha, criticou o papel das grandes potências no Conselho de Segurança da ONU e voltou a defender uma profunda reforma da estrutura de governança global.
Segundo o presidente, é injustificável que regiões inteiras, como África e Oriente Médio, permaneçam sem representação permanente no órgão máximo de segurança internacional. Ele também questionou a exclusão de países como Alemanha, Índia, Japão, Brasil e México.
Em outro momento da entrevista, Lula resumiu o impasse geopolítico com uma imagem dramática: “É como se estivéssemos à deriva em alto-mar, num navio sem capitão”. A declaração veio após relatar tentativas frustradas de estimular líderes como Xi Jinping, Vladimir Putin e Emmanuel Macron a promoverem uma reunião de alto nível capaz de envolver Trump numa discussão mais ampla sobre a paz mundial.
Mercosul-União Europeia e o esforço para conter o unilateralismo
O presidente também rebateu críticas ao acordo entre Mercosul e União Europeia e afirmou que o tratado continua atual e necessário. “Nada está ultrapassado. É preciso apenas se empenhar para fazer funcionar”, declarou.
Segundo Lula, sua prioridade ao assumir a presidência rotativa do Mercosul foi justamente concluir esse processo e oferecer uma resposta concreta à ofensiva unilateralista dos Estados Unidos. “Eu queria contrapor algo ao unilateralismo dos Estados Unidos e fortalecer o multilateralismo”, disse.
Para o presidente, o acordo entre os dois blocos não é apenas uma ferramenta comercial, mas um instrumento de paz e desenvolvimento. Ele lembrou que Mercosul e União Europeia formam juntos um mercado de quase 720 milhões de pessoas e um PIB superior a 22 trilhões de dólares.
Ao falar da relação com a Alemanha, Lula destacou a necessidade de maior equilíbrio na balança comercial. “A Alemanha tem um superávit comercial de sete bilhões de dólares com o Brasil. Nós queremos continuar comprando da Alemanha, mas precisamos caminhar para um equilíbrio. Isso significa que o Brasil deveria fabricar mais produtos de qualidade e vendê-los na Alemanha”, afirmou.
Energia, fertilizantes e defesa da produção nacional
A entrevista também abordou os efeitos das guerras sobre a economia e a segurança alimentar. Lula afirmou que o governo brasileiro agiu para impedir que a escalada internacional fosse transferida diretamente ao custo de vida da população.
“Aqui no Brasil, nós tomamos medidas para impedir que os preços da gasolina, do diesel e do querosene subam. Assim evitamos que a guerra chegue à mesa do almoço dos brasileiros”, afirmou. Ele citou ainda os avanços do país em biodiesel e etanol como parte de uma estratégia de maior autonomia energética.
No campo agrícola, Lula voltou a defender a reconstrução da indústria nacional de fertilizantes. “Nós deveríamos ter impulsionado a produção nacional de fertilizantes há 20 ou 30 anos. Em vez disso, o governo do meu antecessor fechou algumas de nossas fábricas de fertilizantes. Agora estamos tentando reconstruir uma indústria própria. Não podemos nos tornar dependentes dos outros”, disse.
A fala reforça uma das linhas centrais do governo: soberania não é apenas uma palavra diplomática, mas também uma agenda concreta de reindustrialização e fortalecimento da capacidade produtiva nacional.
Cuba, Venezuela e a defesa da autodeterminação dos povos
Ao tratar da América Latina, Lula condenou as intervenções dos Estados Unidos na região e reafirmou o princípio da autodeterminação dos povos. “A América Latina é uma zona de paz. Por isso somos contra o bloqueio econômico que os Estados Unidos impuseram a Cuba há mais de 60 anos”, afirmou.
Sobre a Venezuela, o presidente foi igualmente enfático ao rejeitar ingerências externas. “Assim como Putin não tinha o direito de invadir a Ucrânia, Trump não tem o direito de intervir na Venezuela ou ameaçar Cuba”, declarou.
Lula afirmou ainda que o Brasil não reconheceu a eleição de Nicolás Maduro por falta de transparência na divulgação das atas eleitorais. “Eu tenho a consciência tranquila em relação à Venezuela. O Brasil não reconheceu a eleição de Maduro, porque ele nunca publicou as atas eleitorais, apesar da nossa exigência”, disse.
Mesmo assim, reafirmou que não cabe ao Brasil determinar os rumos políticos internos do país vizinho. Em sua avaliação, a solução da crise venezuelana precisa ser construída pelos próprios venezuelanos, sem tutela externa nem aventuras intervencionistas.
O legado social e o combate à fome
Na parte final da entrevista, Lula voltou a apresentar o combate à pobreza e à fome como eixo central de sua trajetória política. “Qual é o meu legado? Que é possível resolver o problema da pobreza. É disso que eu me orgulho”, afirmou.
Ele lembrou que, em 2003, o Brasil tinha 54 milhões de pessoas passando fome, quadro que havia sido revertido até 2012. Ao retornar à presidência, em 2023, segundo Lula, o país havia voltado a conviver com 33 milhões de brasileiros em situação de fome. “Dois anos e meio depois, nós resolvemos esse problema novamente”, declarou.
O presidente também reivindicou como parte de seu legado a ampliação da inclusão social e a expansão do acesso à educação. “Nenhum outro presidente na história do Brasil fez tanto pela integração social. Nenhum outro criou tantas universidades, institutos e escolas”, disse.
Ao fim, a entrevista à Der Spiegel projeta a tentativa de Lula de consolidar, no plano internacional e doméstico, uma imagem de liderança associada à democracia, à soberania, ao desenvolvimento e à resistência ao autoritarismo. Sua frase mais contundente, agora transformada em manchete, resume esse posicionamento: “Vamos ganhar as eleições porque no Brasil não há lugar para fascistas”.
Foto reproduzida da Internet
Deixe uma resposta