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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) demonstrou na entrevista ao Jornal Nacional que, apesar do esforço para construir uma imagem mais moderada e segura, ainda não tem preparo para ocupar a Presidência da República. A avaliação é da jornalista Vera Magalhães, em sua coluna publicada em O Globo.
Segundo Vera, Flávio chegou à entrevista desta sexta-feira (28) seguindo um roteiro claramente preparado e depois de passar por treinamento para enfrentar a bancada do telejornal. Na forma, apresentou desempenho mais controlado e procurou reduzir sinais de insegurança. No conteúdo, entretanto, acumulou respostas evasivas e explicações que, na avaliação da colunista, tiveram pouca credibilidade.
O resultado, segundo sua análise, evidenciou a distância entre parecer preparado para uma entrevista e demonstrar efetivamente possuir condições políticas, técnicas e programáticas para governar o Brasil.
Um Flávio treinado para parecer moderado
Vera Magalhães identifica desde o início da entrevista uma estratégia para apresentar ao eleitorado uma versão mais moderada do candidato.
Flávio abriu sua participação manifestando solidariedade à apresentadora e aproveitando para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma suposta “grosseria”. Para a colunista, o gesto fazia parte de um roteiro destinado a colocá-lo numa posição mais confortável e até de vítima.
O senador também procurou adotar um discurso menos radical em áreas como economia e meio ambiente.
Em vez de defender abertamente cortes em políticas sociais, evitou detalhar quais despesas reduziria para promover o ajuste fiscal que propõe. Na questão ambiental, reconheceu a existência de eventos climáticos extremos, distanciando-se de formulações negacionistas associadas ao bolsonarismo.
Caso Vorcaro expôs dificuldade
Um dos momentos mais delicados ocorreu quando Flávio foi confrontado com sua relação com Daniel Vorcaro.
Segundo Vera, o candidato tentou inverter a narrativa sobre o encontro com o banqueiro, mas não conseguiu oferecer explicações convincentes sobre o episódio nem esclarecer adequadamente as circunstâncias envolvendo os recursos destinados ao projeto cinematográfico sobre Jair Bolsonaro.
A dificuldade em responder de maneira direta sobre o caso foi, na avaliação da jornalista, um dos exemplos dos limites da estratégia de media training.
O treinamento pode melhorar postura, tom de voz e capacidade de administrar perguntas difíceis, mas não substitui respostas consistentes quando o candidato é confrontado com fatos concretos de sua trajetória.
Adriano da Nóbrega também provocou desconforto
Outro momento difícil ocorreu quando Flávio precisou explicar sua relação política com o ex-policial Adriano da Nóbrega.
Vera destacou o desconforto do candidato ao tratar da homenagem concedida ao ex-policial e das circunstâncias envolvendo a mãe de Adriano.
Flávio tentou justificar a condecoração e minimizar aspectos do histórico do homenageado, mas, na avaliação da colunista, não conseguiu dissipar as dúvidas suscitadas pelo episódio.
Urnas eletrônicas e o peso do bolsonarismo
A entrevista também mostrou a dificuldade de Flávio em conciliar sua tentativa atual de moderação com declarações anteriores sobre o sistema eleitoral.
O candidato afirmou que respeitará o resultado das eleições e procurou afastar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas. Ao ser confrontado com uma afirmação anterior equivocada sobre uma empresa venezuelana, reconheceu o erro.
Para Vera, o episódio evidencia uma das contradições centrais da candidatura: Flávio precisa preservar a identificação com o eleitorado de Jair Bolsonaro e, simultaneamente, convencer uma parcela mais ampla da sociedade de que não repetirá os comportamentos mais radicais do pai.
Flávio critica Eduardo, mas tenta minimizar tarifaço
Essa tentativa de reposicionamento apareceu novamente quando o assunto foi Eduardo Bolsonaro e sua atuação nos Estados Unidos.
Flávio reconheceu que o irmão errou ao agradecer ao presidente Donald Trump pelas tarifas impostas ao Brasil. Ao mesmo tempo, procurou minimizar a participação da família Bolsonaro na articulação política que cercou as medidas norte-americanas.
Para Vera Magalhães, essa foi mais uma situação em que o candidato tentou reconstruir retrospectivamente sua posição diante de um episódio politicamente desgastante.
Indulto e anistia mantêm alinhamento com o pai
Se em determinados temas Flávio procurou se afastar da imagem mais radical do bolsonarismo, em outros deixou claro que continuará defendendo bandeiras diretamente relacionadas ao pai.
O senador voltou a defender indulto e anistia para condenados pelos atos de 8 de Janeiro, mantendo-se alinhado à agenda política de Jair Bolsonaro e de seus aliados.
Essa combinação — moderação no discurso para determinados públicos e manutenção das principais bandeiras políticas do núcleo bolsonarista — aparece como uma das características da estratégia eleitoral de Flávio.
Mais segurança na forma, pouca consistência no conteúdo
Para Vera Magalhães, a entrevista mostrou uma evolução de Flávio Bolsonaro sobretudo na forma.
Ele pareceu mais tranquilo, menos inseguro e mais preparado para administrar a pressão de uma entrevista de grande audiência. Também procurou evitar declarações que pudessem afastar o eleitorado de centro.
Mas a avaliação da colunista é de que esse desempenho formal não resolveu o problema essencial.
Quando precisou explicar episódios controversos, apresentar respostas sobre sua própria trajetória ou detalhar propostas para questões centrais do país, Flávio demonstrou fragilidades.
Na economia, por exemplo, evitou explicar com clareza como pretende conciliar ajuste fiscal, política de valorização do salário mínimo e preservação dos programas sociais.
Assim, para Vera Magalhães, o media training conseguiu produzir um candidato mais controlado diante das câmeras, mas não conseguiu preencher as lacunas de conteúdo. E foi justamente essa diferença entre aparência e substância que, em sua avaliação, mostrou que Flávio Bolsonaro ainda não demonstrou preparo para ser presidente da República.
Foto: Reprodução/TV Globo
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