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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
A conquista da Copa do Mundo pela Espanha neste domingo (19) coroou Lamine Yamal como um dos grandes nomes do futebol mundial. Aos 18 anos, o atacante encerra o torneio como protagonista da campanha espanhola, mas sua projeção internacional vai além dos gramados. Meses antes do Mundial, um gesto de solidariedade à Palestina transformou o jogador em símbolo para milhares de palestinos, que o homenagearam com um mural na Faixa de Gaza.
A Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 na prorrogação, com gol de Ferran Torres, e conquistou seu segundo título mundial. O desempenho de Yamal ao longo da competição consolidou o atacante do Barcelona como uma das principais estrelas da nova geração do futebol europeu. Paralelamente ao sucesso esportivo, voltou a ganhar destaque a repercussão de seu apoio público à causa palestina.
O episódio ocorreu em maio deste ano, durante a comemoração do título espanhol conquistado pelo Barcelona. No desfile da equipe pelas ruas da capital catalã, Lamine Yamal apareceu sobre o ônibus do clube segurando uma grande bandeira da Palestina diante de milhares de torcedores. Imagens do momento circularam rapidamente pelas redes sociais e alcançaram a Faixa de Gaza.
Dias depois, artistas palestinos pintaram um mural retratando o atacante com a bandeira palestina. A obra foi realizada sobre os escombros de edifícios destruídos pela guerra no campo de refugiados de Shati, também conhecido como Beach Camp, na Cidade de Gaza, tornando-se um símbolo da identificação de parte da população palestina com o gesto do jogador.
A homenagem mobilizou moradores de Gaza e gerou milhares de manifestações nas redes sociais. O estudante palestino Muhammed Akram escreveu:
“Para alguns, pode parecer um gesto simples, mas aqui em Gaza, ele toca o coração de maneiras que as palavras não conseguem descrever. Obrigado, Lamine Yamal. De Gaza, você é mais amado do que imagina.”
Outro depoimento amplamente compartilhado foi o do estudante Haitham el-Masri.
“Apenas 14 segundos… mas foram suficientes para me fazer chorar.”
Ele prosseguiu:
“Não consigo descrever completamente o que sentimos ao ver pessoas que ainda têm a coragem de dizer a verdade e de se posicionar ao lado de um povo que sofre um dos genocídios mais horríveis da história moderna. Agradecemos a todos que nos apoiaram, a todos que falaram por nós, a todos que se recusaram a ficar em silêncio e escolheram a humanidade.”
Após a celebração do Barcelona, Yamal publicou em seu perfil no Instagram uma fotografia segurando a bandeira palestina. A postagem recebeu milhões de curtidas e milhares de comentários, entre eles o do escritor e poeta palestino Mosab Abu Toha, que escreveu:
“Nós te amamos, de Gaza.”
A manifestação do atacante também repercutiu no cenário político espanhol. O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, saiu em defesa do jogador após críticas do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz.
Em publicação na rede social X, Sánchez afirmou:
“Aqueles que consideram que hastear a bandeira de um Estado é ‘incitar ao ódio’ ou perderam o juízo ou foram cegados pela própria ignomínia.”
Na mesma mensagem, acrescentou:
“Lamine apenas expressou a solidariedade com a Palestina que milhões de nós, espanhóis, sentimos. Mais um motivo para nos orgulharmos dele.”
Horas antes, Israel Katz havia criticado o jogador e declarado:
“Como ministro da Defesa do Estado de Israel, não ficarei em silêncio diante da incitação contra Israel e contra o povo judeu.”
O ministro também afirmou:
“Espero que um clube grande e respeitado como o FC Barcelona se desmarque dessas declarações e deixe claro, de forma inequívoca, que não há lugar para a incitação nem para o apoio ao terrorismo.”
No Barcelona, o gesto recebeu uma avaliação mais reservada. O técnico Hansi Flick revelou ter conversado com o atacante após o episódio.
“São coisas que normalmente não gosto.”
Questionado sobre a atitude de Yamal, o treinador acrescentou:
“Eu disse a ele que, se ele quiser fazer isso, a decisão é dele. Ele já é maior de idade.”
Flick também ressaltou que, em sua visão, o foco da equipe deve permanecer no futebol.
“Nós nos dedicamos a jogar futebol e temos que levar em conta o que o público espera de nós.”
O gesto de Yamal também foi elogiado por organizações e ativistas favoráveis à causa palestina. O movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) agradeceu publicamente ao jogador e afirmou que “o esporte tem o poder de tornar visível o que o mundo não deve esquecer”.
Filho de pai marroquino e muçulmano, Lamine Yamal já havia se posicionado anteriormente contra manifestações de racismo e islamofobia no futebol espanhol. Após ouvir cânticos anti-muçulmanos durante um amistoso da seleção espanhola, publicou em suas redes sociais:
“Sou muçulmano. Ontem, no estádio, ouvi o cântico ‘Quem não pula é muçulmano’. Eu sei que estava jogando pelo time rival e que não era nada pessoal contra mim, mas, como muçulmano, isso não deixa de ser desrespeitoso e intolerável.”
Agora campeão do mundo com a Espanha, Yamal vê seu nome novamente ganhar repercussão internacional. Enquanto sua atuação dentro de campo o coloca entre os principais jogadores da nova geração, o gesto realizado durante a festa do título espanhol do Barcelona continua sendo lembrado por milhares de palestinos como uma demonstração pública de solidariedade que atravessou fronteiras e encontrou eco até mesmo entre os escombros de Gaza.
Foto reproduzida da Internet
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