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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Editorial

Wilma está fazendo o certo

A governadora Wilma de Faria (PSB) quando convoca a classe política, empresários e representantes de instituições financeiras para uma reunião para tentar agilizar obras vitais para o Rio Grande do Norte, como o aeroporto de São Gonçalo do Amarante, a Zona de Processamento de Exportação e o Pólo Petroquímico, está fazendo o certo.

Wilma não quer assumir sozinha um eventual fracasso na execução desses empreendimentos, até porque ela sabe que os recursos não dependem só do governo do estado. Tem recursos federais no meio e, claro, ela quer a cumplicidade principalmente da bancada federal.

Agora, é preciso também que sejamos realista: não faz muito tempo o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN) promoveu uma reunião parecida, juntando toda a classe política do estado – exceto a governadora que não pode comparecer nesse dia – para discutir a viabilidade da refinaria de petróleo e pressionar o governo federal a isntalá-la aqui, já que existia toda uma infra-estrutura para que isso ocorresse. E qual foi o resultado? Todos sabem: Hugo Chávez [presidente da Venezuela] teve mais poderes do que os políticos do RN e a refinaria foi para Pernambuco por uma exigência da PDVSA, estatal venezuelana de petróleo, que tem parceria com a Petrobras no empreendimento. Lula prometeu recompensar o estado instalando aqui uma mini-refinaria, que seria o Pólo Petroquímico. Até hoje.

O que quero dizer com isso? Quero dizer que temos de deixar de lado as ilusões. A classe política do RN não tem poderes junto ao governo federal, e olha que no primeiro governo Lula tivemos um ministro de Estado, Fernando Bezerra que foi ministro da Integração Nacional. Hoje, dirão alguns, temos Henrique Eduardo que exerce uma liderança na Câmara e tem influência junto ao governo Lula. Ora, convenhamos, Henrique tem influência junto ao governo quando o assunto é de interesse da bancada que lidera na Câmara, ou seja, o PMDB, por ser maioria na Casa. Quando o assunto é o RN, o governo faz ouvidos de mercador. 

E Garibaldi? Bom, o senador peemedebista, todos sabem, apesar de fazer parte hoje da base aliada do governo – mais para não deixar Henrique em situação difícil do que propriamente por convicção -, não é bem visto pelo Palácio do Planalto por ter sido relator da CPI do Bingo. Mas, aí tem a deputada Fátima Bezerra, que é do PT e poderia ter influência no Planalto para atrair investimentos para o estado. Certo. E ela tem feito isso na medida do possível. Prova maior disso são os seis Cefets que a parlamentar trará para o RN a partir de janeiro, sem falar nos recursos através de emendas que vem conseguindo para Natal. No entanto, não tem influência para conseguir atrair uma refinaria, um Pólo Petroquímido ou até mesmo a instalação de uma ZPE.

E o senador José Agripino? Ah, esse aí é que não pode conseguir nada mesmo junto ao Planalto. Até porque, o senador hoje é um dos maiores, senão, o maior opositor ao governo Lula no Congresso Nacional, e junto com ele, a senadora Rosalba Ciarlini, que segue a sua liderança na Casa. Mas, e o resto da bancada? Bem, o resto da bancada faz parte do chamado “baixo clero” no Congresso Nacional, e não tem influência em nada. 

Caro leitor. As torcidas do ABC e do América juntas sabem que não há o mínimo interesse do governo federal fazer grandes investimentos no RN. O próprio presidente Lula, quando esteve em Natal da última vez, deixou a governadora Wilma literalmente de saia justa, quando disse que os governantes preferem construir pontes à investir em saneamento básico. Aquilo não foi uma indireta, foi uma direta mesmo. Lula priorizou o saneamento básico, a habitação e a educação nesse seu segundo governo. Prova maior disso são os investimentos do PAC para o RN – pouco mais de R$ 600 milhões para serem aplicados em sanamento e habitação – além do programa do MEC de construir mais Cefets no país.

Então, como querer “exigir” que a União invista na construção de um aeroporto se, sequer, a Infraero dispõe de recursos para isso, as PPPs [Parceria Público Privado], ainda não saíram do papel, estando pendentes de uma regulamentação, e a modalidade através de uma concessão depende de atração de investimentos, que hoje, com a crise no setor aeroportuário no país, é pouco provável que algum grupo se interesse em investir num empreendimento duvidoso, só para citar um exemplo.

Enfim, apesar de tudo, a governadora Wilma está fazendo o certo quando propõe a união e o esforço da classe política, independente de cor partidária, para tentar viabilizar as obras prometidas pelo governo federal, embora ela saiba que isso é uma tarefa herculana e que, na verdade, está jogando pra inglês ver.

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