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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
As revelações envolvendo a relação entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro provocaram desgaste junto ao eleitorado independente e comprometeram uma das principais apostas da estratégia política do parlamentar para a corrida presidencial de 2026. É o que apontam pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest e obtidas com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo os levantamentos, embora o episódio não tenha alterado a dinâmica de polarização que tende a marcar a disputa presidencial, ele afetou diretamente a percepção de credibilidade de Flávio Bolsonaro entre eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. Esse segmento é considerado decisivo por especialistas em opinião pública por seu potencial de definir os rumos da eleição.
A pesquisa acompanhou, desde agosto do ano passado, um grupo fixo de 20 eleitores independentes. Além disso, foram realizados cinco grupos focais em diferentes regiões do País com participantes do mesmo perfil. Os resultados convergiram para uma mesma conclusão: as informações sobre o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro afastaram parte dos eleitores que vinham demonstrando aproximação com Flávio Bolsonaro.
Eleitores voltam a demonstrar indecisão
De acordo com os estudos, alguns entrevistados que cogitavam votar no senador como alternativa para impedir uma vitória do PT passaram a se declarar indecisos. Outros retomaram a preferência por Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que mantenham críticas ao governo federal e ao próprio presidente.
Entre os participantes dos grupos qualitativos, o conteúdo do áudio em que Flávio Bolsonaro cobra pagamentos milionários de Vorcaro foi recebido com forte reprovação. Para muitos, o episódio comprometeu a imagem de renovação política que o senador buscava consolidar.
“(O áudio) foi uma bomba para mim. Só comprova que a gente precisa pensar muito antes de votar”, afirmou um eleitor independente da região Sudeste ouvido na pesquisa.
Perda da imagem de alternativa moderada
Outro entrevistado, morador de Santa Catarina, relatou que pretendia votar em Flávio Bolsonaro, mas reconsiderou sua posição após a divulgação do caso.
“No Brasil, a gente se surpreende a cada dia e tem cada vez menos certeza do que vai decidir. Quando acha que vai para um lado, surge uma notícia. A princípio eu ia votar no Flávio, mas, depois desse áudio vazado, a gente não tem mais em quem acreditar”, declarou.
O mesmo participante acrescentou que considera difícil acreditar que não exista alguma motivação adicional por trás da relação entre o senador e o banqueiro. “Não tem como defender (o Flávio)”, afirmou.
Segundo a análise da Quaest, o episódio atingiu atributos considerados fundamentais para a construção da imagem eleitoral do parlamentar, especialmente entre os independentes. A percepção de que Flávio representaria uma alternativa moderada, renovadora e antissistema perdeu força após a divulgação das informações.
Desconfiança sobre explicações dadas pelo senador
Os participantes dos grupos focais também demonstraram incômodo com a forma como o senador reagiu ao caso. Muitos citaram o fato de ele ter negado inicialmente sua relação com Daniel Vorcaro.
“Por que não falou logo sobre a relação com o Vorcaro? Então estava mentindo…”, questionou um dos entrevistados.
Uma eleitora do Paraná afirmou que o episódio prejudicou a imagem do parlamentar. “Ele já sabia que isso podia acontecer. Sabia que não estava imune.”
A visita feita por Flávio Bolsonaro ao banqueiro durante o período de prisão domiciliar também gerou questionamentos entre os participantes da pesquisa.
Visita ao banqueiro gera novas críticas
“Você não vai visitar alguém preso se não for uma pessoa próxima ou se não tiver algum negócio sólido com ela. Impacta no meu voto, sim. É mais um motivo para eu não votar nele”, declarou uma eleitora de Porto Alegre.
Para Luciana Andrade, coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, a frustração foi particularmente intensa entre os eleitores que enxergavam no senador uma possibilidade de renovação política.
“Parte desse eleitor que depositou em Flávio uma esperança de renovação na política, de rompimento com práticas do que eles denominam como a velha política, ficou muito frustrada ao ouvir o áudio”, afirmou.
A pesquisadora acrescentou que o episódio alterou a forma como esse grupo compara os principais candidatos da disputa. “O episódio fez com que, para esse eleitor independente, o Flávio Bolsonaro perdesse o discurso de combate à corrupção e se igualasse a Lula nesse quesito. Com isso, o eleitor independente passou, em vez de olhar para a corrupção como algo que diferencia, a comparar as entregas e as propostas de cada candidato.”
Medidas do governo ajudam Lula
A reaproximação de parte dos independentes com Lula não ocorreu apenas em razão do desgaste enfrentado por Flávio Bolsonaro. Segundo a pesquisa, algumas iniciativas recentes do governo federal tiveram repercussão positiva entre esse segmento.
Entre elas está o programa Desenrola 2.0, visto por muitos participantes como uma oportunidade para renegociar dívidas e recuperar o acesso ao crédito. Apesar disso, alguns entrevistados argumentaram que a medida busca corrigir problemas econômicos que atribuem ao próprio governo.
A proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1 também recebeu apoio expressivo entre os participantes dos grupos focais.
“A briga está feia sobre a redução da escala 6×1. Eu estava vendo uma entrevista do Flávio Bolsonaro, que eu acho que ele é contra isso, falando que vai ter desemprego. Eu acho que vai dar é mais emprego porque vai abrir mais vaga. Acho que é porque ele nunca trabalhou de CLT, então não sabe como é a vida do trabalhador”, afirmou um eleitor do Amazonas.
Escala 6×1 tem forte apelo entre independentes
Outro participante, do Rio Grande do Sul, associou diretamente o desgaste eleitoral do senador ao caso Vorcaro e ao debate sobre a jornada de trabalho.
“Eu acho que ele se queimou com o negócio da pauta da redução da escala 6×1 e com o financiamento do filme. Ele estava indo bem, mas agora ele deu uma rateada e deu liberdade para o Lula passar ele.”
Segundo Luciana Andrade, a defesa da redução da jornada semanal tem se mostrado especialmente atraente para eleitores independentes, influenciando inclusive mudanças de posicionamento político observadas durante o acompanhamento do grupo fixo realizado pela Quaest.
“O que a gente vê é uma avaliação mais pragmática desse eleitor, que busca soluções não apenas para o bolso, mas para a qualidade de vida. Uma participante que pretendia votar em Flávio no segundo turno por uma questão de renovação e mudança passou a apoiar Lula por acreditar que ele será capaz de levar adiante a redução da jornada.”
Eleitores mantêm críticas ao governo Lula
O encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também teve repercussão positiva entre parte dos entrevistados. O gesto foi interpretado como uma demonstração de pragmatismo político e de defesa dos interesses brasileiros na relação bilateral.
Apesar disso, os eleitores independentes continuam demonstrando insatisfação com diversos aspectos da atual gestão federal. A principal reclamação identificada pela pesquisa está relacionada à percepção de que as condições de vida da população não melhoraram de forma significativa durante o terceiro mandato de Lula.
“Em comparação aos dois governos anteriores, esse deixou a desejar bastante. Ele (Lula) culpa o Bolsonaro e não faz as coisas. Ele tinha que fazer, mostrar serviço. Me desapontei. Pode ser porque ele pegou o Brasil endividado, pode ser que piorou um pouco as coisas, mas deixou a desejar”, afirmou um eleitor da região Norte.
Luciana Andrade destacou que a expectativa de retomada da ascensão social observada durante os primeiros governos petistas não se concretizou para muitos brasileiros. Segundo ela, a percepção predominante é de que o aumento do custo de vida impede ganhos efetivos de bem-estar, mesmo quando há crescimento da renda.
“Especialmente os eleitores com mais de 35 anos lembram que, nos governos Lula 1 e 2, tiveram ganho de poder de compra e ascensão social. Hoje, o custo do básico consome uma parcela tão grande da renda que, mesmo quando ela aumenta, o status social não muda. A expectativa de que o Lula 3 trouxesse uma melhora de vida não se confirmou. Em todo os grupos sociais a promessa da picanha na mesa é citada. A picanha virou o símbolo dessa decepção”, concluiu.
Imagens reproduzidas da Internet
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