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Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Geral

Crônica

Who’s Who in Natal

Por Stella Galvão

O parlamentar robusto agora alçado a posto mais destacado estava contente que só pinto em beira de cerca com a fartura de acepipes nos corredores do poder federal. A festa foi abalada, na segunda semana de fevereiro, pela divulgação da 23ª versão do Dicionário da Sociedade (DS), do colunista Paulo Macedo, decano do povo dos salões, dos alpendres e das casas de veraneio do society da taba natalense, como gosta de situar um jornalista proeminente da localidade. E não é que noviço nas esferas brasilienses ficou de fora desta versão?

O que importa é que a noite dos iluminados, como foi muito apropriadamente batizado o evento festivo em uma noite qualquer de fevereiro, teve à frente duas personalidades sobejamente conhecidas dos potiguares. O senador quase vitalício J.Agripino e a primeira-mãe. Alguém no fundo do salão esticou o pescoço para averiguar a estampa de D. Miriam, uma senhora devidamente escoltada, ciosa do seu papel social conquistado a duras (só ela mesma para relatar os percalços) penas.

‘Paulinho’, para os mais chegados, não coube em si de contentamento, ciente do seu poder carismático ao reunir figuras devidamente catalogadas do ‘jet’. Um colega de ofício, dessa dura rotina de privar da intimidade das famílias com algum poder de fogo, cravou na coluna: “Paulo Macedo, perto de comemorar 45 anos de profissão, reuniu o mundo ontem à noite.” Especulou uma alma naturalmente roída pela ausência das páginas do “DS” que uma mesa de trabalhos espíritas certamente era encarregada de providenciar a presença não física de grandes lideranças mundiais na política, na economia etc., além de celebridades do mundo real.

Poderia ser mais um desses convescotes pagos com dinheiro transferido do erário público, dos bolsos que não provam as delícias servidas, mas as bancam involuntariamente. Mas não no caso deste cronista social, espécie de Ibrahim Sued potiguar, paparicado como pioneiro da doce atividade jornalística de lançar purpurina em direção àqueles que detêm algum poder. Curiosamente, especula-se não ser raro encontrar Macedo zanzando pelo centro, especialmente em lojas de eletrodomésticos. Quem sabe uma próxima edição não contará com a surpreendente presença de figuras icônicas da tradicional Cidade Alta?

Mas, desta vez, a novidade ficou por conta da homenagem póstuma, na figura do falecido Carlos Alberto de Sousa, ex-radialista e ex-senador. Entre os iluminados, um suplente de senador, um ministro de Estado, um reitor de faculdade privada, titulares de entidades, entre outros geradores humanos. Todos aplaudidos e com direito a carregar o volume de 400 páginas debaixo do braço. O cearense Macedo, naturalizado potiguar após mais de cinco décadas de labuta na ‘princesinha do sol’, não fez por menos. Mandou rodar cinco mil exemplares da sua obra, como titular que é da Academia Norteriograndense de Letras. Nas livrarias, custa R$ 50,00 e sem autógrafo. Atento aos novos ícones desta terra de Poti, como gosta de situar outro jornalista de abdômen proeminente, encarregou o responsável pela capa de nela constar a imagem da estátua de Santa Rita de Cássia, em Santa Cruz. Com 56 metros de altura, a imagem seria um correspondente imagético dos nomes citados no mimoso volume. Para alguns, Macedo é um expert em vender livros: os iluminados tratarão de adquirir volumes para presentear os mais chegados e também os desafetos, espalhando assim a luz que deles emana.

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