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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.
Época
O maior prejudicado até agora pelas denúncias contra a Petrobras
A história do homem que ganhou um contrato de R$ 443 milhões com a Petrobras, foi cercado de benesses, perdeu tudo e hoje anda de ônibus.
Às 6 e meia da manhã do dia 11 de abril, o engenheiro carioca Vladimir Magalhães acordou com a Polícia Federal à sua porta, num apartamento de classe média em Copacabana, no Rio de Janeiro. Vladimir é um senhor de 67 anos. Mora com a mulher e a filha. Os policiais cumpriam mandados da Operação Lava Jato. Estavam atrás de documentos que ligassem a empresa de Vladimir, a Ecoglobal, ao esquema liderado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. Tinham ordens de levar Vladimir para depor. Também foram à sede da Ecoglobal no Rio e à filial da empresa em Macaé, onde a Petrobras concentra boa parte de suas operações de exploração de petróleo. Acabaram indo até a Petrobras, como logo se soube, para espanto do país. “Podem vasculhar à vontade”, disse Vladimir, tentando acalmar a família. Estava irritado, mas compreendia por que os policiais estavam lá.
Semanas antes, a PF descobrira um documento suspeito num dos endereços do doleiro Youssef. Era uma proposta de sociedade, assinada em setembro do ano passado, entre a Ecoglobal de Vladimir e empresas de laranjas de Youssef e Paulo Roberto. Pelo documento, Youssef e Paulo Roberto poderiam se tornar sócios da Ecoglobal, que vencera meses antes uma licitação para prestar serviços altamente especializados à Petrobras. Era um contrato de R$ 443 milhões por quatro anos. Ao lado da proposta, a PF encontrou balanços da Ecoglobal, além de outros documentos internos. Os investigadores haviam, ainda, interceptado e-mails sobre as negociações dessa proposta, trocados entre pessoas próximas a Vladimir e, posteriormente, reenviados a Youssef. Somados, os documentos sugeriam uma sociedade oculta entre a turma de Paulo Roberto e a empresa de Vladimir.(…)
Vladimir contara à PF e à imprensa apenas o que legalmente podia. Uma cláusula de confidencialidade o obrigava a não revelar quem eram, na verdade, todos os seus parceiros na Ecoglobal. Agora, meses depois, destruído financeira e emocionalmente, resolveu contar a ÉPOCA tudo o que afirma saber. Apresentou dezenas de documentos. Os papéis, em larga medida, corroboram suas palavras. Revelam que, se o caso da Ecoglobal precisa ser investigado, Vladimir não é o único obrigado a dar explicações. Não há evidências, até o momento, de que Paulo Roberto ou Youssef fossem seus sócios na Ecoglobal. Mas sobram provas de que, no dia em que a PF o acordou em Copacabana, seus parceiros na empresa eram uma constelação de renomados executivos, grandes bancos e os maiores fundos de pensão do Brasil. Entre eles: Rodolfo Landim, ex-diretor da Petrobras; Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES e amigo do ministro da Fazenda, Guido Mantega; a Caixa Econômica Federal e o banco Santander; e Previ, Funcef e Petros, sem contar outros quatro fundos de pensão. Todos haviam se comprometido a investir na Ecoglobal. Todos haviam assinado com Vladimir o mesmo tipo de proposta que levara a PF à porta dele. E haviam assinado a proposta também com Storti e Lauria, a dupla ligada a Paulo Roberto. A constelação já ajudava a tocar a empresa e havia até um codinome para o negócio: “Projeto Vermelho”.
IstoÉ
Humoristas de aluguel
Agência oferece aos partidos os serviços de perfis de humor populares na internet. Em troca de contratos milionários, eles prometem fazer propaganda dos candidatos e atacar adversários de maneira descontraída. O problema: isso configura crime eleitoral.
Se você observar um desses perfis de humor do Facebook ou Twitter elogiando ou denegrindo a imagem de um candidato, desconfie. Há boa chance de que a piada seja, na verdade, uma publicidade disfarçada. O humorista por trás do personagem pode estar sendo pago para isso e, pior, incorrendo em um crime, já que a lei proíbe a veiculação de propaganda eleitoral paga na rede. Quem tem apostado nesse artifício ilegal, segundo o artigo 57 da norma eleitoral, para abocanhar polpudos contratos durante as eleições deste ano, é a Agência AMA. Nas propostas encaminhadas para partidos e candidatos, a agência fala em nome de donos de perfis humorísticos seguidos por milhões de internautas. Segundo a própria empresa, seus agenciados usariam o talento com as palavras para fazer propaganda de uma maneira descontraída com um tom de militância quase imperceptível. ISTOÉ teve acesso a uma proposta de “disseminação de conteúdos estratégicos” que a AMA elaborou para a campanha do PSDB, mas foi rejeitada pelo partido. Os especialistas em redes sociais propuseram aos tucanos um pacote de 25 publicações politicamente favoráveis em 20 perfis de sucesso no Facebook, como “Paulo Vieira”, vencedor do Prêmio Multishow de humor em 2013, “Irmã Zuleide” e “Bode Gaiato”. Juntos, os personagens fictícios têm 9,1 milhões de seguidores de suas postagens. O preço do “método promocional relâmpago” – como definem – seria de R$ 3,2 milhões, num pacote incluindo a pré-campanha.
A AMA promete aos candidatos usar o “alto poder de persuasão” dos humoristas para espalhar pela internet mensagens positivas divulgadas “sutilmente” e suporte nas ações de contra-ataque. Durante as negociações, a agência sugere que seus personagens teriam um poder “destruidor” criando discussões contra adversários. “Imagine se a gente levantar uma hashtag Dudu dos Precatórios”, insinua Márcio Calheiros, um dos sócios da agência, referindo-se a um processo que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos respondeu em que era acusado de negociar irregularmente títulos públicos.
A agência não é desconhecida do mercado. A AMA ganhou notoriedade no início do ano, quando, em uma manobra ousada, tentou contratar um dos personagens mais influentes da rede, a Dilma Bolada, paródia que o humorista Jeferson Monteiro faz da presidenta Dilma Rousseff. Ainda hoje, nas mesas de negociação, Calheiros demonstra a possíveis clientes que fala em nome do criador de Dilma Bolada, apesar de Monteiro já ter vindo a público negar que seu trabalho tenha ligação com agências de conteúdo. “A galera está querendo dinheiro, não é só ele (Monteiro) que está querendo dinheiro. A Irmã Zuleide está querendo, o Bode Gaiato está querendo dinheiro.” Recentemente, em suas postagens, para ironizar a crise energética, a personagem Irmã Zuleide atribuiu a poderes divinos a chance de ter eletricidade em casa. “Cortaram a energia da minha casa, mas eu não ligo, porque Jesus ilumina minha vida”, escreveu o humorista dono do perfil que tem mais de cinco milhões de seguidores. O Bode Gaiato, personagem que tem quatro milhões de seguidores, 58% desses internautas do Nordeste, tem no Bolsa Família tema recorrente de suas postagens. Mas o humorista também já opinou sobre as manifestações que tomaram conta das ruas. “Pra onde tu vai?”, pergunta a mãe cabra ao filho com um cartaz na mão. “Ali”, responde o jovem. “Onde é ali, cabra?”, rebate a mãe. “Vou ali mudar o rumo do meu país”, ironiza
CartaCapital
Porque escolhemos Dilma Rousseff
Queiram ou não, Aécio Neves e Eduardo Campos serão tragados pelo apoio da mídia nativa e da chamada elite. Ou seja, da reação
Começa oficialmente a campanha eleitoral e CartaCapital define desde já a sua preferência em relação às candidaturas à Presidência da República: escolhemos a presidenta Dilma Rousseff para a reeleição.
Este é o momento certo para as definições, ainda mais porque falta chão a ser percorrido e o comprometimento imediato evita equívocos. Em contrapartida, estamos preparados para o costumeiro desempenho da mídia nativa, a alegar isenção e equidistância enquanto confirma o automatismo da escolha de sempre contra qualquer risco de mudança. Qual seria, antes de mais nada, o começo da obra de demolição da casa-grande e da senzala.
O apoio de CartaCapital à candidatura de Dilma Rousseff decorre exatamente da percepção de que o risco de uns é a esperança de outros. Algo novo se deu em 12 anos de um governo fustigado diária e ferozmente pelos porta-vozes da casa-grande, no combate que desfechou contra o monstruoso desequilíbrio social, a tolher o Brasil da conquista da maioridade.
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