E-book

Baú de um Repórter

O blog cria um novo espaço pra relembrar causos e editoriais, clique aqui para acessar o e-book.

Coletânea de Causos

Que causos são esses, Barbosa?

Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Política

Israel e Palestina: manipulação religiosa e elo com o `evangelistão´ no Brasil e no mundo

Está na Fórum

O recrudescimento do conflito entre o Estado de Israel e as brigadas al-Qassam, braço armado do grupo Hamas, defensor do estado Palestino, remonta à uma História – com H maiúscula – milenar que está nas origens de três das principais religiões do planeta e do uso delas para manipulação das massas de fiéis por aqueles que detêm o poder financeiro no mundo e querem mantê-lo a quaisquer custos, mesmo que esse preço sejam vidas de crianças e inocentes.

O conflito na controversa Terra Santa, que se arrasta oficialmente desde meados de 1948, com a criação do Estado de Israel, usa o judaísmo, o islamismo e o cristianismo como cortina de fumaça para se encobrir os interesses em uma região que pode ser considerada o portão de entrada para o Oriente Médio, ou mundo árabe, principal polo petrolífero do mundo, alvo de cobiça das transnacionais e do sistema financeiro internacional.

O próprio Joe Biden, então senador em 1986, afirmara que Israel foi o “melhor investimento de US$ 3 bilhões” feito pelo governo estadunidense – entenda-se trustes que comandam a economia global – e que “se não houvesse uma Israel, os Estados Unidos teriam de criar uma Israel para proteger seus interesses na região”.

A própria ONU, em estudo divulgado em agosto de 2019, afirmou que os “territórios palestinos têm gás e petróleo que podem gerar centenas de bilhões de dólares”. Os poços estariam localizados na Área C da Cisjordânia e na costa do Mediterrâneo, ao longo da Faixa de Gaza, região que hoje se encontra em guerra aberta, com a promessa de Israel de exterminar aquela que já é considerada uma das maiores favelas do planeta.

Estes recursos oferecem “uma oportunidade de distribuir e compartilhar cerca de US$ 524 bilhões entre as diferentes partes na região, além de promover a paz e a cooperação entre os antigos beligerantes”, diz o estudo da ONU.

A religião como máscara

O controverso plano aprovado pela ONU em 29 de novembro de 1947 – logo após o fim da II Guerra Mundial – que previu a “partilha da Palestina” para acomodar o estado de Israel na Terra Santa, na realidade, só expôs um projeto que tem origens no chamado “restauracionismo”, ou Primitivismo Cristão.

O movimento começou a ser cunhado na divisão da Igreja Católica durante a Idade Média, que deu origem ao Protestantismo, e pregava uma leitura literal da Bíblia, chegando a ser a visão predominante dentro da Igreja Anglicana.

Os restauracionistas usavam o livro sagrado do cristianismo, que reúne uma coleção de metáforas, como documento histórico e preveem que a profecia sobre a volta de Jesus só seria cumprida com o retorno dos judeus à Terra Santa.

“A ICEJ se vê mais como uma continuação do trabalho e do legado dos restauracionistas britânicos e sua marca muito pragmática e responsável de ativismo cristão pró-Israel. Preferimos ser vistos como adeptos cristãos do ‘sionismo bíblico’. É evidência de que Deus é fiel as promessas da aliança com o Patriarca Abraão de entregar a Terra de Canaã como uma ‘possessão eterna’ para seus descendentes naturais (Gênesis 17:8)”, define, em seu site, a International Christian Embassy Jerusalem (ICEJ), Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém.

A própria ICEJ afirma que “o sionismo cristão antecede o movimento sionista ‘político’ judaico por décadas, senão séculos, e o próprio Theodor Herzl cunhou o termo ‘sionista cristão’ no Primeiro Congresso Sionista em Basel em 1897”.

Jornalista austro-húngaro, Herzl é considerado o fundador do Sionismo moderno, que deu início, ainda no século XVIII ao chamado retorno dos judeus à região palestina, com a compra de terras e formação dos primeiros kibutz.

O termo sionismo remete à Sião, um dos nomes bíblicos de Jerusalém e foi cunhado para dar uma roupagem religiosa ao movimento político dos judeus que viviam na Europa e se diziam vítimas de perseguição. 

Em de novembro de 1917, restauracionistas e sionistas judeus ganharam o apoio da maior potência na época, quando o ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, assinou uma carta com 67 palavras apoiando “o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu na Palestina”.

A chamada “Declaração de Bafour” foi enviada a Walter Rothschild, um dos principais proponentes do Sionismo, e foi considerada pelos árabes como “grande traição” ao povo palestino e o ponto inicial do conflito árabe-israelense.

“Uma terra sem povo para um povo sem terra”

A frase que se tornou slogan do movimento sionista internacional tem origem controversa, mas foi usada pela primeira vez por um restauracionista cristão, reverendo Keith Alexander, em 1843, quando afirmou que “um povo sem país, assim como sua própria terra, como, posteriormente, a ser mostrado, é em grande medida um país sem povo”.

Entre as diversas versões, a que ficou mais conhecida foi “uma terra sem povo para um povo sem terra”, que demonstrara o desprezo dos sionistas em relação aos palestinos.

Cabe salientar que o Sionismo não é sinônimo de povo judeu – ou mesmo de judaísmo. O Sionismo é um “movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu em um Estado judaico”, segundo a Confederação Israelita do Brasi (Conib), órgão de representação e coordenação política da comunidade judaica brasileira. 

Por esse motivo, a maioria árabe e parte do mundo ocidental chama Israel de Estado Sionista – e não de Estado Judeu. 

O desprezo pelo povo palestino é retratado ainda pelo filósofo, militar e líder sionista Vladimir Evgenevich Jabotinsky, ou Ze’ev Jabotinsky.

Fundador da Organização de Auto-defesa Judaica e ideólogo do movimento de direita denominado Sionismo revisionista, Jabotinsky ligava os judeus ao chamado Ocidente e pregava a superioridade sobre o Oriente. Na visão dele, o Oriente representava passividade psicológica, estagnação social e cultural e despotismo político.

Israel Zangwill, autor britânico e colaborador de Herzl, teria propagado o slogan sionista para enfatizar que os palestinos não deveriam ser considerados e que a região estava praticamente desabitada, ignorando a convivência até então pacífica entre islâmicos, cristão e judeus que ali moravam.

Primeiro presidente de Israel, o bielorrusso Chaim Azriel Weizmann – que usava o sionismo como forma de combater a esquerda – classificava os árabes-palesitnos como milhares de “kushim”, sem valor.

“Evangelistão”

Os livros sagrados – que contém metáforas e uma visão parcial e distorcida da História da Humanidade – são usados como armas na chamada “guerra santa” entre os grupos extremistas do judaísmo, do islamismo e também do cristianismo, que vê o avanço do chamado “neorestauracionismo”, que ganha força principalmente nas igrejas neopentecostais ligadas à extrema-direita e adeptas das pautas de “costume” e da “meritocracia”.

Alvos de líderes fascistas, como Donald Trump, nos EUA, e Jair Bolsonaro (PL), no Brasil, essas agremiações religiosas utilizam elementos e artefatos do judaísmo para promover uma espécie de culto a Israel, enquanto são manipuladas para as pautas políticas da extrema-direita.

Em total paradoxo, esse movimento, que vem dominando grande parte das igrejas evangélicas no Brasil – e no mundo – pregam o regresso dos judeus à Terra Santa para ser cumprida a profecia. No entanto, acreditam que só os judeus que sejam convertidos ao cristianismo poderão ter a salvação divina. 

No Brasil, um dos maiores expoentes do neorestauracionismo é a Igreja Universal do Reino de Deus – e seu braço político, o partido Republicanos -, de Edir Macedo, que tem no “Templo de Salomão”, expoente do judaísmo, como a catedral máxima, estabelecida na capital paulista.

Em nome de Deus, Alá ou Yahweh, os autoproclamados donos do mundo, que controlam o sistema financeiro e as transnacionais, promovem a manipulação explícita da política e da chamada opinião pública, colocam povos contra povos, e provocam conflitos que podem levar a uma nova guerra mundial e nuclear.

E, muitas vezes sem perceber essa manipulação, aqueles que dizem acreditar em uma divindade de amor e perdão agridem e matam uns aos outros, em um contrassenso contra a vida e o que há de mais sagrado no planeta Terra.

Foto: Mohammed Abed/AFP

Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *