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Coletânea de Causos
Incentivado por amigos resolvi escrever também causos particulares vivenciados ao longo dos anos. Alguns relatos são hilários, e dignos de levar ao programa Que História é Essa, Porchat. Seguem os causos em forma de coletânea.

Está no Brasil 247
A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) endureceu sua posição e anunciou um boicote irrestrito aos torneios organizados pela Fifa caso a entidade máxima do esporte prossiga com o plano de criar uma empresa privada para gerir suas competições e comercializar participações a investidores internacionais. A decisão, tomada após uma reunião de emergência convocada pela confederação europeia, conta com o apoio unânime de suas 55 associações-membro.
De acordo com a Reuters, a Thrive Eternal, uma nova estratégia de investimento lançada pela empresa de capital de risco Thrive Capital, deve ser a principal investidora na subsidiária. A estratégia é um veículo de capital permanente focado em realizar um pequeno número de investimentos de longo prazo em franquias e instituições culturais. O veículo foi fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump. O ex-presidente-executivo da Walt Disney, Bob Iger, atua como consultor.
Segundo o New York Post, Trump quer que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se torne o próximo secretário-geral das Nações Unidas após a Copa do Mundo de 2026.
O posicionamento europeu estabelece que nenhuma seleção nacional filiada à Uefa participará de qualquer competição sob o guarda-chuva da Fifa enquanto o projeto de privatização estiver em pauta. A exigência para o retorno às disputas é o cancelamento definitivo da proposta e a apresentação de garantias vinculativas de que as competições não serão fatiadas com o setor privado.
A reação da Uefa não é isolada. O movimento ganhou a adesão da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Juntas, as três entidades somam 143 dos 211 membros filiados à Fifa, constituindo uma ampla maioria capaz de inviabilizar os planos da diretoria executiva da instituição.
Em meio ao impasse, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, divulgou um pronunciamento em vídeo na tentativa de defender a iniciativa. Segundo o dirigente, a ideia é submeter o projeto a uma votação formal com todas as federações filiadas e com o conselho da entidade. A proposta prevê a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), uma nova subsidiária na qual a Fifa manteria o controle majoritário.
A Fifa avalia o valor total da FFE em 20 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 102,3 bilhões). A intenção da entidade é arrecadar 4,2 bilhões de dólares (cerca de R$ 21,5 bilhões) com a comercialização de ações para investidores privados, que passariam a deter uma participação minoritária na empresa. Na justificativa oficial publicada em seu site, a entidade sustenta que o aporte financeiro externo seria decisivo para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.
Para seduzir as federações nacionais, a gestão da Fifa acenou com um aumento expressivo no repasse financeiro direto a cada país. Os repasses atuais, fixados em 8 milhões de dólares (R$ 41 milhões), passariam para 20 milhões de dólares (R$ 102 milhões) no ciclo até a Copa do Mundo de 2030. Os valores subiriam para R$ 112,5 milhões no ciclo até 2034 e chegariam a R$ 123 milhões até o ciclo de 2038.
A Uefa, no entanto, publicou um manifesto contundente rebatendo a lógica financeira e criticando a conduta política de Infantino. No pronunciamento, a entidade acusa a Fifa de agir com falta de transparência e tentar impor as mudanças de forma coercitiva.
“A UEFA e suas 55 associações-membro estão unidas. Rejeitamos, de forma unânime e inequívoca, a proposta da FIFA de transferir participações na propriedade da Copa do Mundo e de outras competições da FIFA para investidores privados. A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. Ela é um dos maiores legados esportivos do futebol. Foi construída ao longo de gerações por jogadores, seleções nacionais e torcedores de todos os continentes. Nenhuma parte dela deve jamais ser entregue a investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda”, destaca a entidade em trecho do manifesto.
A confederação europeia classificou a articulação de bastidores da Fifa como “uma falha profunda de liderança” e um desrespeito à governança do esporte global.
“É irresponsável e indefensável que uma proposta de tamanha importância para o futebol tenha sido concebida em segredo e levada à iminência de aprovação sem qualquer consulta significativa àqueles encarregados de zelar pelo esporte. Isso não é apenas uma falha profunda de liderança, mas uma abdicação do dever da FIFA como guardiã do futebol mundial. Associações nacionais de todo o mundo deparam-se agora com um ultimato: aceitar a apropriação irreversível das maiores competições do futebol ou arcar com as consequências. Isso não é uma ‘decisão democrática’, mas uma governança baseada na intimidação — um ato de coerção indigno de uma instituição encarregada de zelar pelo esporte global”, complementou a Uefa, frisando que sua oposição vai muito além de meras divergências processuais e atinge a essência da preservação do futebol como bem público global.
Foto: UOL
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